Minhas palavras faltam, minhas coisas sobram. O mundo voltou a girar ao contrário e nas bocas alheias as palavras estão sobrando. Os atos parecem incorretos, sem sentido e tortos. Eu também estou torta, mas o médico jura que pode me consertar. Dói acordada e dói dormindo. Uma dor diferente em cada universo. Em alguns momentos parece que parou de doer, mas é só mudar de posição que já volta. A vista está cansada e as pessoas não respondem. Esforços são em vão, esforços que se vão…
Na ânsia de adiantar acabo atrasando, escolhendo os momentos mais errados até para adoecer e bocejar. Pensei em tempestades hoje e logo começou a chover. Comprei meu próprio presente atrasado. Agendei coisas que já estavam claras pra mim e até perdi a hora pra algumas delas. Perdi também boas oportunidades de me calar. Meus olhos estão cansados de esperar por leituras e de verem certas coisas repetidas. Detesto falar sem falar, mas também nem sei mesmo o que dizer! Aaaaahhhh, como eu preciso de uma analogia!
Algumas dores são difíceis de explicar, parece que já cicatrizaram há tempos, já não há nem mais sinal da cicatriz, mas quando você mete o dedão na superfície sente aquela pontada de dor, como se a ferida ainda estivesse se curando.
Eu tenho uma imunidade bem alta para esse tipo de coisa. Minhas amigas sempre comentam que não me vêem reclamando, choramingando pelos cantos por causa de um amor que se foi. E realmente não sofro mesmo. Aliás, sofro por nunca mais que três semanas. Posso passar por um período de loucuras, sumir do cenário e aparecer com um novo corte de cabelo, começar outro relacionamento sem futuro apenas para me distrair… Mas não sofro, não deito na cama para dormir e fico pensando em como foi bom, como poderia ter sido melhor, como sinto falta… Sinto aquela dor momentânea que logo passa e a vida volta ao normal novamente.
Já sofri, confesso. Até o meu primeiro namoro terminar eu sofria muito por causa dos homens. Com ele eu percebi que não se deve esperar muito de uma relação mesmo. Sofri por quase um ano depois do término e o observei sofrendo por uns três meses, mas não havia volta, o sofrimento seria maior juntos. Não sofri com o término de um pseudo-casamento de cinco anos, nem com o “fim” do relacionamento mais atual (a gente ainda se pega e é amigo, mas a esperança de um namoro e o amor que levava ao sofrimento por saudades ou outras coisas morreram de um dia para o outro, sem pena, apenas porque assim eu decidi).
Qual é o segredo? Simples, apenas pense que ele não é a pessoa certa pra você. Você vai ficar sofrendo pela pessoa errada, amando a pessoa errada, se martirizando e se impedindo pela pessoa errada? Se fizer isso a pessoa certa passa e você nem vê. E acredite, se você está sofrendo por ele(a), é a pessoa errada, a pessoa certa não te faz sofrer.
Mas tudo isso foi apenas uma explicação sem sentido para tentar justificar o injustificável do primeiro parágrafo. Se eu sei tudo isso, se eu já não penso mais, já não sinto mais e já não sofro mais (ah, e por esse eu sofri, foram as três semanas mais longas da minha vida), porque ainda dói da mesma forma que doía? É como um membro fantasma, que já não pertence mais ao seu corpo, mas quando alguma coisa acontece você sente como se ele estivesse ali, no mesmo lugar. E acredite, ele é a pessoa errada, está estampado na testa dele.
Não basta olhar para ele. Não penso mais nele como homem, não sinto falta, saudades, amor… nada! Sou perfeitamente capaz de dividir o mesmo ambiente, vê-lo com outra garota, conversar como amigos (que acho que somos)… mas quando a gente conversa sobre o assunto, aquela dor das três semanas volta a assolar o meu peito como se nunca tivesse ido embora e permanece por um dia me maltratando.
Penso que talvez seja mais fácil cortar o membro fantasma de vez da minha vida. Mas me preocupo com ele como me preocupo sempre com as pessoas que tenho carinho. Gosto de saber como meus amigos estão, se estão bem e se eu posso fazer algo para ajudar. Cheguei a pensar que talvez, por esse excesso de anticorpos que não me deixam sofrer, talvez a ferida não tenha se curado como deveria. Como uma cárie que não foi removida por completo e o dente foi selado com aquele resquício ali. Apenas abrindo novamente o dente e arrancando mais profundo que ela será extinta.
Mas para achar uma cárie assim é preciso um RaioX, olhar para dentro de si mesmo é complicado demais. Não sei o que fazer ou por onde começar. Não adianta tentar resolver a dois, essa é uma coisa de mim para mim mesma, mas estou aceitando diagnósticos…
Estou cansada de ser aquela para quem os loucos correm quando precisam de palavras ou gestos de consolo.Que escuta e cuida pacientemente sem demonstrar seus próprios anseios. Que cala os choros sem jamais derrubar uma lágrima.
Que alivia a tormenta dos atormentados e depois repousa sobre o travesseiro sem expectativa de quando cairá no sono. Aquela para a qual não faltam palavras de carinho, para a qual todos olham como um paradigma e nomeiam como se nada pudesse se aproximar. Como se nada quisesse chegar perto de fato.
A pessoa que quando decide falar de seus próprios sentimentos recebe um olhar de surpresa. Não como alguém que fosse proibido de sentir, mas como alguém que não tivesse essa capacidade.
A que sempre tem um conselho que jamais seguiria em benefício próprio e que está lá apenas para isso. Para satisfazer o alheio. Para resolver o que não pertence ao seu mundo e mesmo assim julga de sua responsabilidade, pois se sente responsável por todos os mundos.
A que usa porque acha que a única solução é ser usada. E que proclama aos quatro cantos – e de quatro aos cantos – que tudo está sempre bem quando acaba bem e que tudo sempre acaba bem.
E que queria, ao menos uma vez, conseguir seu próprio consolo e a solução para seus próprios medos. Deixar de lado toda falta de razão e emoção e esquecer-se do drama que a fantasia induzida requer.
Hoje no twitter observei uma amiga minha desabafando sobre as vergonhas do passado. Que em um período de sua adolescência chegou a assinar o sobrenome “Hanson”. Respondi prontamente que eu também havia passado por essa fase com o mesmo sobrenome, mas que agora adotei por tempo indeterminado o alterego Van der Woodsen (o sobrenome da loira S. de Gossip Girl). Já tem mais de um ano que tenho variado o sobrenome do meu Orkut entre vários alteregos que encontrei pelos seriados da vida. Comecei com O’Marley, depois Stevens e Yang (todos de Grey’s Anatomy) e até Harper (de Two and a Half Man). Isso para exemplificar o momento que estava vivendo e como estava me sentindo com tudo.
Tentamos desesperadamente nos encontrar nos outros. Sejam eles personagens ta telinha (ou da telona, as telas aumentaram consideravelmente nos últimos anos) ou em pessoas próximas de nós, que muitas vezes nem conhecemos direito. Hoje também outra amiga minha soltou a frase “até nisso ele é parecido comigo”, falando a respeito de uma pessoa que ontem ela assumiu não saber nada de concreto a respeito e com a qual vive fantasiando diálogos.
Fantasiar diálogos. Aposto que mais da metade das pessoas sobre a Terra faz isso. Tentamos imaginar as resposta que teríamos de pessoas para as quais não temos coragem de fazer tais perguntas. Achamos que, por conhecer relativamente bem alguém, sabemos as palavras que diriam em uma determinada ocasião, mas acabamos transformando essas pessoas em personagens em nossa mente fértil.
Outro exemplo disso que tenho observado nos meus amigos ultimamente. Não é apenas a “invenção de respostas”, mas a idealização de pessoas. Os vejo cobrando atitudes de pessoas que em momento algum se comprometeram a fazer algo semelhante do que eles esperam. Confesso que fiz isso por muitos anos da minha vida e só fui curada por volta de março deste ano, de uma forma que sofri tanto que talvez fosse melhor que continuasse no mundo da imaginação…
Em um dos meus diálogos de ontem a mesma amiga me disse que “endeusou” muito certa pessoa, e por isso não conseguia se afastar dela. Eu, com toda minha filosofia de boteco respondi “Deuses não foram feitos para serem tocados”. Às vezes é difícil perceber que esses personagens simplesmente não existem…
Podemos nos encontrar em um momento de carência tão grande, que ao conhecermos uma pessoa refletimos nela todas as nossas expectativas. Ela não combina conosco, não se encaixa em nossas vidas, mas a convertemos em tudo aquilo que esperamos e criamos um vínculo, uma dependência de uma pessoa inventada. Queremos tanto ver tais características, ler alguns sinais, que acabamos por enxergá-los onde não estão presentes. Ou simplesmente estamos tão cansados da solidão, do vazio no coração, que tentamos colocar qualquer coisa no lugar.
O contrário também acontece. Traçamos para nossa vida um objetivo de pessoa que desejamos encontrar. Muitas vezes colocamos esses objetivos tão distantes daquilo que achamos que podemos encontrar, justamente para que seja impossível. Quando encontramos uma pessoa que, surpreendentemente, se encaixa naquilo que definimos como ideal, ficamos procurando defeitos que não nos incomodavam e que, muitas vezes, nem existem.
Essas pessoas acabam por se tornar também personagens. Fugimos delas por mais que sejam perfeitas. Talvez por não estarmos prontos para um compromisso, ou simplesmente por achar que não merecemos a perfeição. Eu já me conformei que não mereço uma rara exceção e já me privei da felicidade por uma ou duas vezes…
Mas como boa Van der Woodsen que sou, vivo no mundinho dos meus seriados, com elenco fixo e variado… Personagens vem e vão, mas a minha felicidade permanece… independentemente de relacionamentos, minha inconstância me permite tentar sempre… Afinal de contas… Me apaixono todo dia, é sempre a pessoa errada… (e você sorriu e disse: “eu gosto de você também”… será que vai embora cedo demais?).
A chamam de ‘crise do quarto de vida’. Você começa a se dar conta de que seu círculo de amigos é menor do que há alguns anos. Se dá conta de que é cada vez mais difícil vê-los e organizar horários por diferentes questões: trabalho, estudo, namorado(a) etc.. E cada vez desfruta mais dessarvejinha que serve como desculpa para conversar um pouco.
As multidões já não são ‘tão divertidas’… E as vezes até lhe incomodam. E você estranha o bem-bom da escola, dos grupos, de socializar com as mesmas pessoas de forma constante.
Mas começa a se dar conta de que enquanto alguns eram verdadeiros amigos, outros não eram tão especiais depois de tudo. Você começa a perceber que algumas pessoas são egoístas e que, talvez, esses amigos que você acreditava serem próximos não são exatamente as melhores pessoas que conheceu e que o pessoal com quem perdeu contato são os amigos mais importantes para você.
Ri com mais vontade, mas chora com menos lágrimas e mais dor. Partem seu coração e você se pergunta como essa pessoa que amou tanto pôde lhe fazer tanto mal. Ou, talvez, a noite você se lembre e se pergunte por que não pode conhecer alguém o suficiente interessante para querer conhecê-lo melhor. Parece que todos que você conhece já estão namorando há anos e alguns começam a se casar. Talvez você também, realmente, ame alguém, mas, simplesmente, não tem certeza se está preparado (a) para se comprometer pelo resto da vida.
Os rolês e encontros de uma noite começam a parecer baratos e ficar bêbado(a) e agir como um(a) idiota começa a parecer, realmente, estúpido. Sair três vezes por final de semana lhe deixa esgotado(a) e significa muito dinheiro para seu pequeno salário.
Olha para o seu trabalho e, talvez, não esteja nem perto do que pensava que estaria fazendo. Ou, talvez, esteja procurando algum trabalho e pensa que tem que começar de baixo e isso lhe dá um pouco de medo.
Dia a dia, você trata de começar a se entender, sobre o que quer e o que não quer. Suas opiniões se tornam mais fortes. Vê o que os outros estão fazendo e se encontra julgando um pouco mais do que o normal, porque, de repente, você tem certos laços em sua vida e adiciona coisas a sua lista do que é aceitável e do que não é.
Às vezes, você se sente genial e invencível, outras… Apenas com medo e confuso (a). De repente, você trata de se obstinar ao passado, mas se dá conta de que o passado se distancia mais e que não há outra opção a não ser continuar avançando. Você se preocupa com o futuro, empréstimos, dinheiro… E com construir uma vida para você.
E enquanto ganhar a carreira seria grandioso, você não queria estar competindo nela.
O que, talvez, você não se dê conta, é que todos que estamos lendo esse texto nos identificamos com ele. Todos nós que temos ‘vinte e tantos’ e gostaríamos de voltar aos 15-16 algumas vezes. Parece ser um lugar instável, um caminho de passagem, uma bagunça na cabeça…
Mas TODOS dizem que é a melhor época de nossas vidas e não temos que deixar de aproveitá-la por causa dos nossos medos… Dizem que esse tempo é o cimento do nosso futuro.
Parece que foi ontem que tínhamos 16…
Então, amanha teremos 30?!?!
Assim tão rápido?!?!
FAÇAMOS VALER NOSSO TEMPO… QUE ELE NAO PASSE!
A vida não se mede pelas vezes que você respira, mas sim por aqueles momentos que lhe deixam sem fôlego…
Envie esse texto a seus amigos de vinte e tantos… Talvez, ajude a alguém a se dar conta de que não está sozinho em meio a tanta confusão…
Acabei de ler e me deu vontade de ouvir uma música em especial: Meninos e Meninas do Legião… “Tenho quase certeza que eu não sou daqui…”