Nunca fui de defender o MST, concordo que muitos são arruaceiros, mas não se pode generalizar, muito menos marginalizar, como a mídia faz. Essa análise crítica foi produzida para um trabalho da faculdade de jornalismo:
O MST que a mídia mostra e a mídia que esconde o MST

Até quem não é da área de comunicação tem consciência, mesmo que inconsciente, que a grande mídia só noticia aquilo que é de interesse das classes dominantes. Mesmo antes da campanha das “Diretas Já”, anunciada em primeira instância pela Rede Globo como uma homenagem ao aniversário da cidade de São Paulo, a visão que a mídia hegemônica apresenta dos fatos é única: aquela que irá manter o mecanismo de controle e poder existente na nossa sociedade.
Se a pauta são os movimentos sociais, a mídia só se manifesta para criticar. O Movimento dos Sem Terra (MST) é o melhor exemplo que se pode dar de tal atitude. Os trabalhadores rurais integrantes do movimento são sempre retratados pelos grandes jornais e emissoras de televisão como arruaceiros e violentos baderneiros. Não tem voz, não dão depoimentos, estão tão errados que não possuem direito nem a defesa. Tem apenas fotos com machados nas mãos ou pilotando tratores, destruindo plantações.
Termos como “invasão” e “barbárie” são constantemente usados para ilustrar as ocupações. Já o termo “grilagem” nem é citado para caracterizar como terras pertencentes à União foram parar nas mãos de particulares. A reforma agrária no Brasil é inversa. Aqueles que não precisam de terras as recebem do governo. Aqueles que precisam delas para seu sustento precisam ultrapassar cercas e viver em barracas na tentativa de consegui-las. Isso a mídia não mostra.
A mídia produz subjetividade, mostrando uma visão única dos fatos e se aproveitando do impacto que os termos citados acima provocam no imaginário daquele que escuta ou lê. Direciona assim a opinião pública contra o MST, sem que esses recebam o mesmo espaço e visibilidade para responderem.
A repressão ao movimento por parte da polícia é ocultada. A retirada de dezenas de famílias de terras improdutivas pertencentes a políticos não é fotografada. O projeto educacional para o povo rural, baseado no método Paulo Freire, oferecido para os filhos dos assentados do MST, que educa pensando na inclusão social, formando mais que alunos, criando seres humanos conhecedores de seus direitos e deveres, nunca é pautado na agenda midiática.
Mas o MST entende de mídia. É o movimento social brasileiro com a comunicação alternativa mais bem organizada. Sempre que atacado pela mídia hegemônica, responde nos veículos alternativos como “Caros Amigos” e “Carta Capital” a sua versão dos fatos. Afirma-se como movimento e desculpa-se quando necessário. Além disso, possui sua própria revista, jornal e página na internet. Caso a população queira ouvir o outro lado e se preocupasse em se informar para se formar, todas as “invasões” são noticiadas pelos próprios sem-terra.
6 julho, 2011 no 9:58 PM
parabens pelas vossas considerações me ajudaram bastante num trabalho da escola.