
Hoje no twitter observei uma amiga minha desabafando sobre as vergonhas do passado. Que em um período de sua adolescência chegou a assinar o sobrenome “Hanson”. Respondi prontamente que eu também havia passado por essa fase com o mesmo sobrenome, mas que agora adotei por tempo indeterminado o alterego Van der Woodsen (o sobrenome da loira S. de Gossip Girl). Já tem mais de um ano que tenho variado o sobrenome do meu Orkut entre vários alteregos que encontrei pelos seriados da vida. Comecei com O’Marley, depois Stevens e Yang (todos de Grey’s Anatomy) e até Harper (de Two and a Half Man). Isso para exemplificar o momento que estava vivendo e como estava me sentindo com tudo.
Tentamos desesperadamente nos encontrar nos outros. Sejam eles personagens ta telinha (ou da telona, as telas aumentaram consideravelmente nos últimos anos) ou em pessoas próximas de nós, que muitas vezes nem conhecemos direito. Hoje também outra amiga minha soltou a frase “até nisso ele é parecido comigo”, falando a respeito de uma pessoa que ontem ela assumiu não saber nada de concreto a respeito e com a qual vive fantasiando diálogos.
Fantasiar diálogos. Aposto que mais da metade das pessoas sobre a Terra faz isso. Tentamos imaginar as resposta que teríamos de pessoas para as quais não temos coragem de fazer tais perguntas. Achamos que, por conhecer relativamente bem alguém, sabemos as palavras que diriam em uma determinada ocasião, mas acabamos transformando essas pessoas em personagens em nossa mente fértil.
Outro exemplo disso que tenho observado nos meus amigos ultimamente. Não é apenas a “invenção de respostas”, mas a idealização de pessoas. Os vejo cobrando atitudes de pessoas que em momento algum se comprometeram a fazer algo semelhante do que eles esperam. Confesso que fiz isso por muitos anos da minha vida e só fui curada por volta de março deste ano, de uma forma que sofri tanto que talvez fosse melhor que continuasse no mundo da imaginação…
Em um dos meus diálogos de ontem a mesma amiga me disse que “endeusou” muito certa pessoa, e por isso não conseguia se afastar dela. Eu, com toda minha filosofia de boteco respondi “Deuses não foram feitos para serem tocados”. Às vezes é difícil perceber que esses personagens simplesmente não existem…
Podemos nos encontrar em um momento de carência tão grande, que ao conhecermos uma pessoa refletimos nela todas as nossas expectativas. Ela não combina conosco, não se encaixa em nossas vidas, mas a convertemos em tudo aquilo que esperamos e criamos um vínculo, uma dependência de uma pessoa inventada. Queremos tanto ver tais características, ler alguns sinais, que acabamos por enxergá-los onde não estão presentes. Ou simplesmente estamos tão cansados da solidão, do vazio no coração, que tentamos colocar qualquer coisa no lugar.
O contrário também acontece. Traçamos para nossa vida um objetivo de pessoa que desejamos encontrar. Muitas vezes colocamos esses objetivos tão distantes daquilo que achamos que podemos encontrar, justamente para que seja impossível. Quando encontramos uma pessoa que, surpreendentemente, se encaixa naquilo que definimos como ideal, ficamos procurando defeitos que não nos incomodavam e que, muitas vezes, nem existem.
Essas pessoas acabam por se tornar também personagens. Fugimos delas por mais que sejam perfeitas. Talvez por não estarmos prontos para um compromisso, ou simplesmente por achar que não merecemos a perfeição. Eu já me conformei que não mereço uma rara exceção e já me privei da felicidade por uma ou duas vezes…
Mas como boa Van der Woodsen que sou, vivo no mundinho dos meus seriados, com elenco fixo e variado… Personagens vem e vão, mas a minha felicidade permanece… independentemente de relacionamentos, minha inconstância me permite tentar sempre… Afinal de contas… Me apaixono todo dia, é sempre a pessoa errada… (e você sorriu e disse: “eu gosto de você também”… será que vai embora cedo demais?).
16 setembro, 2009 no 1:01 PM
“o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: “vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida”.
Antes idiota que infeliz!”
Arnaldo Jabor
Fafah, como seremos felizes então??
16 setembro, 2009 no 3:56 PM
Caraca Renan! Eu fiz um post pensando nas situações que ouvi com meus amigos com bem pouco da minha experiência pessoal (afinal, quem somos nós para nos analisar) e você (aliás, Jabor) completou exatamente com as palavras que me estavam faltando e agora não faltam mais… O que falta é a coragem…
Como seremos felizes? Quando deixarmos toda essa baboseira de personagens, imposições pessoais ou alheias, medo de se entregar, medo de falar o que sente, medo de chutar o balde… Quando deixarmos tudo isso de lado e simplesmente vivermos cada momento!
Ou seja, quando as pessoas se preocuparem menos em não serem idiotas e mais em serem felizes! Eu tow sempre bancando a idiota!
2 fevereiro, 2010 no 4:26 PM
[...] Podemos nos encontrar em um momento de carência tão grande, que ao conhecermos uma pessoa refletimos nela todas as nossas expectativas. Ela não combina conosco, não se encaixa em nossas vidas, mas a convertemos em tudo aquilo que esperamos e criamos um vínculo, uma dependência de uma pessoa inventada. Queremos tanto ver tais características, ler alguns sinais, que acabamos por enxergá-los onde não estão presentes. Ou simplesmente estamos tão cansados da solidão, do vazio no coração, que tentamos colocar qualquer coisa no lugar.(Os personagens que criamos) [...]
7 junho, 2011 no 3:39 PM
é bom reler algumas coisas depois de um certo tempo.
melhor ainda é ver que não só ainda concorda com o que escreveu, como também tomou passos concretos em direção àquilo.
comigo está sendo assim hoje. E com vc, Fafah?
Ainda estou longe de viver como eu quero, como o vento, livre e natural, mas tenho conseguido bons resultados!
=)
14 junho, 2011 no 7:17 PM
É Renan, se eu for analisar este post eu estou andando para trás. Não só não tornei meus personagens concretos, como também os abandonei e estou vivendo cada vez mais no mundo real, mas as pessoas que estão nele parecem cada vez mais com personagens irreais… deu pra entender? hehe bjs!