Arquivo do mês: setembro 2009

O poder de um corte de cabelo

cabeleireiro

Todo mundo precisa em um certo ponto se reinventar. Chega um momento que ficamos tão cansados de nós mesmo, da imagem que vemos no espelho, das coisas que dizemos e sentimos, dos lugares que freqüentamos e das pessoas que vemos. Ficamos submersos nessa mesmice e não sabemos o ponto de partida para a reinvenção.

Eu corto o cabelo. Corto, pinto, trato. Não apenas tirar as pontas, mas mudar mesmo de corte. Parece que, na medida em que os fios caem no chão do salão, as coisas que quero tirar da minha vida vão caindo junto. Demora um pouco pra ficha cair, ainda fico remoendo um pouco, mas em uma semana ou duas eu já me torno uma pessoa diferente. Normalmente não a pessoa que eu queria ser, mas a mudança sempre funciona.

Você olha as novas fotos e não se reconhece, parece que aquilo ativa uma aera nova no seu cérebro e você pensa: Essa sou eu, o novo Eu. E você passa por um período de descobertas: O que esse novo eu faz? O que ela quer? O que ela gosta? Pra onde ela vai? E o mais importante: Pra onde ela quer ir? É uma forma inteligente de desistir de coisas e pessoas. Você não desiste propriamente, não vivencia o fracasso, você apenas estabelece novas metas e rumos para sua vida.

Cortei o cabelo esta semana e ontem em um momento de bebedeira assumi o novo Eu. Pensei no que eu quero fazer da vida e principalmente no que eu NÃO quero mais fazer. Costumo relutar em desistir, mas tem coisas que a gente vê que não valem a pena. Ficar dando murro em ponta de faca não é o meu estilo, nem nunca foi o estilo dos vários Eus que já assumi.

As perguntas sobre o que meu novo Eu precisa ainda não foram respondidas, inauguro hoje um novo período de autoconhecimento levando meu novo Eu para sair da toca. Veremos o que vou encontrar e no que isso vai dar. Cabelo novo, vida nova!


Caça às borboletas

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Ontem travei um longo diálogo de autoconhecimento com um amigo de longe através do MSN. Estávamos tentando traçar perfis, entender fatos e coisas do gênero. Conversa vai, conversa vem… Ainda estava com o último post na cabeça, mais especificamente com uma frase que foi a única (além do desfecho) escrita não pensando exclusivamente nos meus amigos, mas também voltada para o período que eu estou vivendo: “Ou simplesmente estamos tão cansados da solidão, do vazio no coração, que tentamos colocar qualquer coisa no lugar.”

Cheguei à conclusão que no meu caso não é “ocupar um vazio no coração”, mas no estômago. É, mas não um vazio preenchido por comida, mas por insetos. Por aquelas borboletas que às vezes voam por lá e nos fazem sentir aquele friozinho na barriga gostoso, como quando estamos em uma montanha-russa.

Lembro-me que desde sempre gosto de sentir esse friozinho. Quando estamos nervosos para a apresentação de um trabalho, antes de fazer uma prova (não uma prova difícil, mas que represente muito o resultado), antes de uma entrevista para um emprego que você deseja muito, antes de subir no palco para um teatro, antes de entrar ao vivo em um programa de rádio ou TV, antes de fazer uma pergunta inteligente alto em uma palestra… ou, o meu favorito, antes de encontrar com aquela pessoa especial.

O problema é que já estou tão calejada da vida que está cada vez mais raro sentir essas borboletas dançando no meu ventre. Não as senti na Conferência de Comunicação, apesar de ter ficado tão ansiosa que passei mais de três noites sem dormir direito. Talvez umas três tenham se perdido no meu estômago antes da entrevista na rádio, mas ainda não foram o suficiente. Atravessei do Rio a Fortal e nada naquela cidade me fez sentir nada parecido… Acho que falta aventura na minha vida.

As mesmas três borboletas que se manifestaram neste período apareceram por alguns momentos na última sexta-feira, mas não sei ainda se foram reais ou se eu pensei tanto nelas que elas acabaram por acordar de seu sono profundo. Isso me deixou mais confusa ainda sobre como estou me sentindo devo me sentir.

Essa mesma pessoa com a qual estava conversando me contou que desistiu do amor. Que não se entregava mais. Já ouvi outras pessoas falando isso e continuo achando triste. Essa é uma das coisas que coloco na lista de coisas que “Eu Nunca” fiz. Assim como nunca tentei parar de fumar, também nunca maldisse a paixão. Mesmo que ambas as coisas me matem aos poucos e me façam sofrer, são formas de me sentir viva. (You bleed Just to know you’re alive – esse foi um dos meus argumentos para ele).

No final do ano passado estava passando por um período meio complicado de relacionamento, querendo a qualquer custo arrancar uma pessoa do meu coração e fui conversar com uma amiga sobre resoluções de ano novo. Ela, que tinha acabado de terminar um namoro que sofreu muito, me disse que em 2009 ela queria se apaixonar. Que queria amar tanto que doesse, mesmo que não fosse correspondida. Eu não entendi na hora, ela tinha acabado de passar por um sofrimento desses e queria sofrer de novo? Agora eu entendo que ela estava falando dessas borboletas.

Prefiro continuar na caça delas, me entregando sem certezas, sem evitar o que pode estar por vir. Vou fechar com o comentário de um amigo no último post e com uma frase do teatro mágico:

“o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida. Antes idiota que infeliz!” – Arnaldo Jabor.

“Vou engarrafar essa dor, vou engarrafar a saudade! Vou me embriagar de tristeza, bendizendo ela vira beleza. Gentileza gera gentileza!” –  Teatro Mágico.


Os personagens que criamos

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Hoje no twitter observei uma amiga minha desabafando sobre as vergonhas do passado. Que em um período de sua adolescência chegou a assinar o sobrenome “Hanson”. Respondi prontamente que eu também havia passado por essa fase com o mesmo sobrenome, mas que agora adotei por tempo indeterminado o alterego Van der Woodsen (o sobrenome da loira S. de Gossip Girl). Já tem mais de um ano que tenho variado o sobrenome do meu Orkut entre vários alteregos que encontrei pelos seriados da vida. Comecei com O’Marley, depois Stevens e Yang (todos de Grey’s Anatomy) e até Harper (de Two and a Half Man). Isso para exemplificar o momento que estava vivendo e como estava me sentindo com tudo.

Tentamos desesperadamente nos encontrar nos outros. Sejam eles personagens ta telinha (ou da telona, as telas aumentaram consideravelmente nos últimos anos) ou em pessoas próximas de nós, que muitas vezes nem conhecemos direito. Hoje também outra amiga minha soltou a frase “até nisso ele é parecido comigo”, falando a respeito de uma pessoa que ontem ela assumiu não saber nada de concreto a respeito e com a qual vive fantasiando diálogos.

Fantasiar diálogos. Aposto que mais da metade das pessoas sobre a Terra faz isso. Tentamos imaginar as resposta que teríamos de pessoas para as quais não temos coragem de fazer tais perguntas. Achamos que, por conhecer relativamente bem alguém, sabemos as palavras que diriam em uma determinada ocasião, mas acabamos transformando essas pessoas em personagens em nossa mente fértil.

Outro exemplo disso que tenho observado nos meus amigos ultimamente. Não é apenas a “invenção de respostas”, mas a idealização de pessoas. Os vejo cobrando atitudes de pessoas que em momento algum se comprometeram a fazer algo semelhante do que eles esperam. Confesso que fiz isso por muitos anos da minha vida e só fui curada por volta de março deste ano, de uma forma que sofri tanto que talvez fosse melhor que continuasse no mundo da imaginação…

Em um dos meus diálogos de ontem a mesma amiga me disse que “endeusou” muito certa pessoa, e por isso não conseguia se afastar dela. Eu, com toda minha filosofia de boteco respondi “Deuses não foram feitos para serem tocados”. Às vezes é difícil perceber que esses personagens simplesmente não existem…

Podemos nos encontrar em um momento de carência tão grande, que ao conhecermos uma pessoa refletimos nela todas as nossas expectativas. Ela não combina conosco, não se encaixa em nossas vidas, mas a convertemos em tudo aquilo que esperamos e criamos um vínculo, uma dependência de uma pessoa inventada. Queremos tanto ver tais características, ler alguns sinais, que acabamos por enxergá-los onde não estão presentes. Ou simplesmente estamos tão cansados da solidão, do vazio no coração, que tentamos colocar qualquer coisa no lugar.

O contrário também acontece. Traçamos para nossa vida um objetivo de pessoa que desejamos encontrar. Muitas vezes colocamos esses objetivos tão distantes daquilo que achamos que podemos encontrar, justamente para que seja impossível. Quando encontramos uma pessoa que, surpreendentemente, se encaixa naquilo que definimos como ideal, ficamos procurando defeitos que não nos incomodavam e que, muitas vezes, nem existem.

Essas pessoas acabam por se tornar também personagens. Fugimos delas por mais que sejam perfeitas. Talvez por não estarmos prontos para um compromisso, ou simplesmente por achar que não merecemos a perfeição. Eu já me conformei que não mereço uma rara exceção e já me privei da felicidade por uma ou duas vezes…

Mas como boa Van der Woodsen que sou, vivo no mundinho dos meus seriados, com elenco fixo e variado… Personagens vem e vão, mas a minha felicidade permanece… independentemente de relacionamentos, minha inconstância me permite tentar sempre… Afinal de contas… Me apaixono todo dia, é sempre a pessoa errada… (e você sorriu e disse: “eu gosto de você também”… será que vai embora cedo demais?).


Síndrome dos vinte e tantos

Recebi o texto por e-mail e decidi propagar…

A  chamam de ‘crise do quarto de vida’. Você começa a se dar conta de que seu círculo de amigos é menor do que há alguns anos. Se dá conta de que é cada  vez  mais  difícil  vê-los  e  organizar horários por diferentes questões: trabalho, estudo, namorado(a) etc.. E cada vez desfruta mais dessarvejinha que serve como desculpa para conversar um pouco.

As  multidões  já  não  são ‘tão divertidas’… E as vezes até lhe incomodam. E você estranha o bem-bom da escola, dos grupos, de socializar com as mesmas pessoas de forma constante.

Mas  começa a se dar conta de que enquanto alguns eram verdadeiros amigos, outros não eram tão especiais depois de tudo. Você começa a perceber que algumas  pessoas  são egoístas e que, talvez, esses amigos que você acreditava serem próximos não são exatamente as melhores pessoas que conheceu e que o pessoal com quem perdeu contato são os amigos mais importantes para você.

Ri  com mais vontade, mas chora com menos lágrimas e mais dor. Partem seu coração e você se pergunta como essa pessoa que amou tanto pôde lhe fazer tanto  mal.  Ou,  talvez,  a  noite  você se lembre e se pergunte por que não pode conhecer alguém o suficiente interessante para querer conhecê-lo melhor.  Parece  que todos que você conhece já estão namorando há anos e alguns começam a se casar. Talvez você também, realmente, ame alguém, mas, simplesmente, não tem certeza se está preparado (a) para se comprometer pelo resto da vida.

Os  rolês e encontros de uma noite começam a parecer baratos e ficar bêbado(a) e agir como um(a) idiota começa a parecer, realmente, estúpido. Sair três vezes por final de semana lhe deixa esgotado(a) e significa muito dinheiro para seu pequeno salário.

Olha  para o seu trabalho e, talvez, não esteja nem perto do que pensava que estaria fazendo. Ou, talvez, esteja procurando algum trabalho e pensa que tem que começar de baixo e isso lhe dá um pouco de medo.

Dia  a  dia,  você trata de começar a se entender, sobre o que quer e o que não quer. Suas opiniões se tornam mais fortes. Vê o que os outros estão fazendo  e  se encontra julgando um pouco mais do que o normal, porque, de repente, você tem certos laços em sua vida e adiciona coisas a sua lista do que é aceitável e do que não é.

Às  vezes,  você se sente genial e invencível, outras… Apenas com medo e confuso (a). De repente, você trata de se obstinar ao passado, mas se dá conta  de  que  o  passado  se  distancia  mais e que não há outra opção a não ser continuar avançando. Você se preocupa com o futuro, empréstimos, dinheiro… E com construir uma vida para você.

E enquanto ganhar a carreira seria grandioso, você não queria estar competindo nela.

O  que,  talvez,  você  não se dê conta, é que todos que estamos lendo esse texto nos identificamos com ele. Todos nós que temos ‘vinte e tantos’ e gostaríamos de voltar aos 15-16 algumas vezes. Parece ser um lugar instável, um caminho de passagem, uma bagunça na cabeça…

Mas  TODOS dizem que é a melhor época de nossas vidas e não temos que deixar de aproveitá-la por causa dos nossos medos… Dizem que esse tempo é o cimento do nosso futuro.
Parece que foi ontem que tínhamos 16…

Então, amanha teremos 30?!?!

Assim tão rápido?!?!

FAÇAMOS VALER NOSSO TEMPO… QUE ELE NAO PASSE!

A  vida não se mede pelas vezes que você respira, mas sim por aqueles momentos que lhe deixam sem fôlego…

Envie esse texto a seus amigos de vinte e tantos… Talvez, ajude a alguém a se dar conta de que não está sozinho em meio a tanta confusão…

Acabei de ler e me deu vontade de ouvir uma música em especial: Meninos e Meninas do Legião… “Tenho quase certeza que eu não sou daqui…”


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