A little bit of self-esteem

2 02 2010

Tenho enfrentado momentos difíceis… Quase dois meses de formada e nenhum emprego na área, alias, nenhum emprego at all (estou topando qualquer coisa que me de possibilidade de sair desta cidade). Parei agora pouco para ler o meu blog e percebi duas coisas: isso aqui muitas vezes parece um livro de auto-ajuda e eu escrevo bem pra caralho!

Então, buscando dentro de mim um cadim restante de amor próprio e auto-estima, resolvi fazer um apanhado das melhores frases que já postei por aqui. Não são todas que eu mais gosto, caso contrário ia ficar cansativo, mas como eu queria colocar em pratica na minha vida os conselhos e soluções que dou aqui… Enjoy it!

Aprendi a valorizar os abraços porque nunca sabemos quando eles se transformarão em mensagens de texto. (Sociedade Alternativa)

Podemos nos encontrar em um momento de carência tão grande, que ao conhecermos uma pessoa refletimos nela todas as nossas expectativas. Ela não combina conosco, não se encaixa em nossas vidas, mas a convertemos em tudo aquilo que esperamos e criamos um vínculo, uma dependência de uma pessoa inventada. Queremos tanto ver tais características, ler alguns sinais, que acabamos por enxergá-los onde não estão presentes. Ou simplesmente estamos tão cansados da solidão, do vazio no coração, que tentamos colocar qualquer coisa no lugar.(Os personagens que criamos)

palavras são apenas palavras e podem ser ditas por qualquer um, a qualquer um, em qualquer momento.(Inconformante, inconfortante e mais palavras que não existem)

Pessoas assim são especiais e estranhas. Enquanto o mundo corre para o etnocentrismo e o egoísmo, nós corremos para a direção oposta. Pensamos no bem comum, na integração entre as pessoas. Sabemos que, mesmo que a sociedade nos taxe de loucos, juntos somos mais fortes e podemos tornar nosso sonho de um mundo mais justo e igualitário real (Homenagem aos melhores)

Pessoas que se merecem acabam juntas, pessoas que não nos merecem nos perdem e pessoas que merecemos sempre voltam (No Regrets

Acabamos repetindo os mesmos erros, não porque não possuímos a capacidade de aprender, mas porque temos medo de reagir de uma forma diferente. Fazemos tudo para evitar o conflito e muitas vezes esquecemos que nem sempre o conflito é ruim, é o conflito que nos leva a tomar decisões e determinar modificações em nossas vidas. Qual seria a graça se não pudéssemos mudar e nos reinventar a todo o momento (Por Que sentimos medo?)

Amar é complicado, e nesse caso é sujeito, sujeito a dúvidas, sujeito ao dessespero, sujeito a tudo que possa se submeter pelo objeto amado (Quantas vezes é possível amar?)

Liberdade se sente… não se acha ou impõe. Liberdade é poder nadar até onde não dá mais pé, é correr até onde não se conhece o caminho, é poder chorar sem enxugar os olhos e falar sem travas na língua. É não ter restrições… (Cheiro do ralo…)





Greed! – The worst sin

2 02 2010

Acabei de ler o livro “7 Pecados do Capital”. Trata-se de uma reunião de oito contos/crônicas, organizadas por Emir Sader, com apresentação do grande Luiz Fernando Veríssimo. Publicado no ano 2000, reúne Frei Betto, Alcione Araújo, Emir Sader, João Pedro Stédile, Leonardo Boff, Maria Rita Kehl, Marilene Felinto e Milton Santos, que escrevem sobre os males do capitalismo. Para eles esses sete pecados são: Avareza (um pecado real do cristianismo, mas que é justamente o que irei questionar aqui), exploração, fetichismo, fome, roubo do tempo, latifúndio e o ecocídio e o biocídio (que constituem um só pecado). Puderam observar que são oito os cronistas para apenas sete pecados. Um deles recebeu dois textos, justamente o que quero destacar e complementar seu sentido.

Irei questionar a avareza: se realmente ela é o pecado que merece ser condenado ou se o nosso português aliviou um pecado que é maior ainda. Em cada lugar que vemos alguns dos pecados capitais recebem nomes diferentes. Em cada idioma para os quais o texto original a igreja foi traduzido, os sentidos foram se alterando. Avareza ou ganância? Em português avareza foi a nomenclatura escolhida, mas em inglês e em outros idiomas a ganância é o pecado real. “Greed”, em minha opinião o pior pecado e aquele que foi a raiz de todos os males do capital.

Os pecados do cristianismo remetem ao excesso. Pensar em excesso no prazer é luxúria. Se preocupar em excesso com a aparência e com o que as pessoas vão pensar de você é vaidade. Querer descansar mais que o necessário é preguiça. Comer demais é gula. Aquele excesso de raiva é a ira. O olho garnde em excesso os bens alheios, tanto que importa mais a falta do outro que a sua posse, é inveja. Não querer gastar a qualquer custo é avareza.

A avareza fica perdida entre os demais pecados quando se trata do português. Ela não trata do excesso apenas, mas da falta. A falta de coragem de gastar, achar que tudo é desperdício, ela é o contrário da generosidade. A avareza enxerga a caridade como ultrajante. Doar-se em benefício alheio seria o verdadeiro pecado para os avarentos. A ganância vai além. Ela parece acumular todos os pecados em si, aliás, a acumulação é a sua priori.

O ganancioso quer sempre mais, não para usufruir, mas pelo simples prazer de acumular. E não é essa a principal premissa do capitalismo? A acumulação do capital? A ganância é o que faz com que menos de 5% dos mais ricos do mundo detenham mais de 50% das riquezas disponíveis. É o que faz um jogador de futebol se perguntar como alguém vive com menos de 100 mil reais por mês. É ela que faz com que um cantor exija em seu camarim suco de grãos de trigo e 100 toalhinhas brancas para se apresentar. É a principal responsável pela má distribuição dos recursos mundiais.

A ganância remete ao desperdício. Enquanto 30% dos alimentos daqueles com condições financeiras acabam por estragar e tem o lixo com destino, existem famílias inteiras padecendo de fome, implorando pelos alimentos, mesmo que vencidos, daqueles que os jogam fora, para assegurar mais um dia de sobrevivência.

Enquanto o avarento acaba por deixar faltar algo para os seus para não gastar mais do que é necessário, o ganancioso compra coisas sem serventia apenas pela posse. Temos como exemplo o Rei do Pop, que faleceu recentemente deixando enormes dívidas monetárias, apesar de seu patrimônio acumulado em bilhões.

A ganância é como um vício. Quanto mais se tem e se enxerga a possibilidade de ampliar as posses, mais se quer ter e mais se acumula. Observamos pessoas que levam uma vida sofrida de classe média e que se preocupam com os que perderam tudo em enchentes e terremotos, doando tudo aquilo que é excedente em seus lares para que essas pessoas tenham uma chance de recomeçar. Por outro lado existem aqueles que possuem contas exorbitantes e não movimentam um dedo ou um centavo para amenizar o sofrimento alheio.

Ganância pra mim é enganar pessoas em troca de uma recompensa ($) não merecida. É ter possibilidade de ajudar os necessitados e não o fazer com a desculpa de “eu batalhei por isso” e não pensar que certas pessoas não tiveram nem a oportunidade de batalhar. Não enxergam a solidariedade é uma forma de gratidão pelo sucesso alcançado. Ganância é querer ter mais do que se pode consumir. É produzir excedentes tantos, que outro poderia viver deles. É achar que os seus pequenos problemas são maiores que os de todos ao seu redor.

Não consigo compreender a mente dos gananciosos. Assim como qualquer pessoa, gostaria de viver confortavelmente, com luxo até, ter a possibilidade de comprar aquilo que eu tivesse vontade e viajar para qualquer parte do mundo que estivesse afim. Mas nada disso teria significado para mim se eu não pudesse provocar um sorriso no rosto de uma criança ou de uma pessoa querida quando eu retornasse com um presente despretensioso.

Mas o que enxergamos no mundo guiado pelo capital é exatamente o contrário. Assistimos repetidamente a políticos que desviam dinheiro de nossos suados impostos para engordarem suas gananciosas contas em paraísos fiscais. Observamos multinacionais como a Unilever e a Coca-cola englobarem pequenas empresas dos mais diversos setores ao seu império já gigantesco. Se a concorrência ameaça, o melhor a fazer é sucumbi-la ao seu domínio. A Coca-cola comprou recentemente a fábrica do guaraná Jesus, ou seja, no mundo do cap”e”talismo, não é mais Jesus que salva, mas sim a Coca-cola.

Aliás, é o dinheiro que salva. Observamos uma vez o caso de uma igreja que vendeu vagas no céu, uma mentira deslavada que se aproveitava dos fiéis pecadores para cometer o pecado da ganância. Mas na verdade, o céu e o inferno são aqui. Aqui se faz, aqui se paga, e se tiver dinheiro e poder o pagamento pode ser a vista mesmo. Li uma vez em uma reportagem a comparação entre dois casos de cadeia: uma senhora que ficou presa por dois anos por ter roubado um xampu e um condicionador de um supermercado e do ex-chefe da polícia federal, Álvaro Lins, que não ficou mais que dois meses preso sob acusação de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, recepção de propina, entre outros. Por que isso ocorre? Pelo valor dos honorários do advogado, do juiz… e de todo o aparato judiciário brasileiro.

Infelizmente a ganância é parte do ser humano (como os outros pecados). Cada um age de acordo com sua forma de sentir prazer. Sou apenas mais uma utópica que sonha com uma sociedade igualitária, onde não existam pessoas passando necessidades nem detentores de fortunas exorbitantes e poder acima do bem e do mal. Mas e se tal sociedade existisse? Se cada riqueza do mundo fosse partilhada igualmente entre nós? Se não houvesse distinção de ganhos entre o trabalho braçal e o intelectual? O que almejaríamos? Como controlaríamos os demais pecados como a preguiça?

O fim da ganância não deve ser instituído socialmente, deve partir do interior de cada um de nós. Devemos perceber a paranóia de nossos atos gananciosos e entender que a generosidade e a justiça nos tornam pessoas melhores. Que a posse de bens ou dinheiro não nos torna especiais, ao contrário, nos distancia do mundo real e nos faz fechar os olhos para os problemas reais que nossa sociedade enfrenta.

Muitas vezes digo que gostaria de ser rica e ignorante. Uma patricinha mimada como Paris Hilton, cujas únicas preocupações são se minha marca de perfume está vendendo e se meu vídeo pagando boquete foi excluído do porntube. Fechar os olhos e virar as costas para os tantos famintos e desabrigados existentes no mundo e alimentar minha ganância acumulando riquezas. É mais fácil não saber. Até para aqueles que passam necessidades. É menos doloroso para eles não saber que enquanto eles não têm onde morar, há pessoas comprando ilhas e passando apenas alguns dias do verão nelas. Enquanto eles não têm o que comer, há pessoas comprando um sunday, comendo a cobertura e jogando o restante no lixo. A ignorância muitas vezes é uma dádiva. É ela que deixa Paris Hilton dormir quando coloca a cabeça no travesseiro e evita revoltas que culminariam em guerras civis internas.

Não quero me projetar como intelectual ou me colocar como dona da verdade. Apenas sei que a ganância é um mercado milionário de acumulação de dinheiro e poder. Sei que enquanto escrevo esse texto, acordos milionários que prejudicam o meio ambiente são fechados e colocam em risco a saúde ambiental da Terra e por conseqüência a nossa saúde. Enquanto eu passo horas na internet e andando pelas ruas entregando currículos, muitas pessoas conseguem empregos para ganhar milhares sem nem aparecer no trabalho, apenas por QI.

Ganância. O pior dos pecados. A raiz do capitalismo e de todos os “pecados do capital”. Um pecado tão comum que chegou a ser esquecido pelo livro de Emir Sader.





Eu e você, você e eu, nós quatro

20 01 2010

Quase um mês depois eu vou abrir o blog neste ano de 2010 com um texto que foi escrito há quase dez anos. Apenas uma mancha de molho de tomatinho vermelho em nossas carreiras jornalísticas, com textos de profundo valor estético, funcional e literário.

Chega ser ironia começar este ano tão tarde, com um texto tão antigo e com um humor tão despreocupado. Ando meio depressiva desde que o ano começou. De repente os sentidos mudaram de palavras, estava comemorando que estava sem emprego, apenas estudando, agora me sinto desempregada. Comemorando que não tinha namorado, ninguém para cobrar nada, agora me sinto encalhada. A casa parece cada vez menos minha e eu pareço cada vez menos eu…

Mas este é para ser um post alegre! Digitando meu nome no google (vai me dizer que você nuca fez isso?) encontrei esta pérolano blog de um amigo, postado em 2002, exatamente como segue abaixo:

Lindo poema que eu fiz com minha amiga
Um poema lindo, feito durante as interessantes aulas, lá do colégio. Confira!

 Eu e você, você e eu, nós quatro.

A primeira vez que a vi
Tava num banheiro público
Você nem olhou para mim
Porque achou que eu tivesse algum distúrbio

Tesão da minha vida
Eu sou normal sim
Não seja metida
Mamãe me fez assim

Nunca consegui esquecer seu rosto
Pois mesmo sendo vesga
Você encaixou no meu gosto
Vem para mim e larga de ser besta

Coisinha louca
Pinta seu cabelo
E tira essa touca
Para a gente andar de camelo

A remela do teu olho
Me faz delirar
Sua blusa suja de molho
Que fez eu me apaixonar

Pedaço de mal caminho
Tire toda sua roupa
E venha para o nosso ninho
Não se faça de boba

Pedra de calcário
Vem que eu te amoleço
Vamos jogar baralho
Porque você não tem preço

Tua orelha grande, bem grandona
Escondeu a minha língua
Eu me perco nessa zona
E não vivo nessa míngua

Pela janela do teu quarto
Vi uma cena maravilhosa
Você estava de quatro
Limpando o chão com loção cremosa

Me perco em suas curvas
Me acho em seus braços
Eu como suas uvas
E corro para o abraço

Na cara do gol
Te dou um beijo no rosto
Você pede que eu vou

Botar óleo no posto

Chupei tua mandíbula
Olhei seu nariz
Puxei tua clavícula
E ninguém viu o que eu fiz

Quero casar com você
De véu e grinalda
Se não for você
Vai a vovó Mafalda

Bati na porta do seu coração
Convidou-me para entrar
Assustei-me com o negão
Que ali se encontrava lá

Subi o morro
Para conhecer sua família
Do seu pai eu corro
Fugindo da quadrilha

Você engravidou
Quiseram me matar
Minha casa ocê roubou
Para as contas pagar

Agora me vejo sozinho
Naquele mesmo banheiro público
Perdi o seu beijinho
E fiquei com distúrbio

Fim

Felipe Branco Cruz
Fabiana Pereira Longo

Pi, ainda bem que existe a internet para imortalizar momentos como esse. Tenho mais besteiras aqui, quando achar posto também!





Minha visão da CONFECOM

22 12 2009

Euzinha na CONFECOM

Foi meu terceiro momento histórico do ano. O primeiro foi o encontro dos presidentes esquerdistas da América Latina no Fórum Social Mundial, o segundo foi a 50ª choppada da UFF aqui de Volta Redonda ,e pra fechar o ano, a participação em todas as etapas da 1ª Conferência nacional de Comunicação – CONFECOM.

Tudo começou pra mim no ano passado, quando montamos o Fórum de Mídia Livre do Sul Fluminense, mas sei que há pessoas nessa luta há mais de 15 anos. Estudamos experiências de outros estados, nos reuníamos para debater a comunicação no Brasil e para tirar propostas para melhorar o cenário. Jovens e experientes, dividindo os mesmos sonhos de justiça e democracia, levantando a mesma bandeira, participando da mesma luta.

Por falta de braços e pernas acabamos por não realizar a metade das coisas que pensamos na nossa região, mas como nosso debate por aqui estava bem avançado, ajudamos outras regiões na construção de suas conferências e conseguimos sair da etapa estadual com quatro delegados garantidos na Nacional: FafaH, Álvaro Britto e Maninho pela sociedade civil e Gabi Misael pelo poder público.

Tudo já começou na palhaçada pelo critério de participação. Os delegados foram divididos com a seguinte representatividade: 40% para a Sociedade Civil; 40% para a Sociedade Civil Empresarial e 20% para o Poder Público. Nunca antes na história desse país uma conferência garantiu uma participação tão ampla do empresariado, que de forma alguma são 40% da nossa sociedade.

A segunda palhaçada ainda não vi ser questionada em nenhuma matéria ou post sobre a CONFECOM: a tal da “Questão Sensível”. Também nunca antes na história desse país isso foi usado: toda vez que alguém pedisse “questão sensível”, o pedido teria que ser aprovado por 50%+1 de um segmento. Aprovado o pedido de “questão sensível”, a proposta teria que ser aprovada por 60%+1 da plenária, ao invés de maioria simples. Apesar de a grande maioria do Poder Público estar votando junto com a Sociedade Civil e existir um “Bloco do Bem” do empresariado que também votava conosco, havia também os pelegos da Sociedade Civil e as inúmeras quebras que tivemos que não deixaram nenhuma “questão sensível” ser aprovada. O mais próximo que chegamos foi 58%. Apesar disso, quando a Sociedade Civil pedia a “questão sensível”, o empresariado também não conseguia aprovar a proposta, o que me deixou pensando que talvez houvesse algo de errado., talvez pessoas insensíveis demais nessa plenária.

Plenária cheia

O evento começou na segunda-feira, 14 de dezembro, com mais de três horas de atraso. A aprovação do regimento, que deveria abrir os trabalhos do dia, não aconteceu e o discurso do Presidente atrasou ainda mais de uma hora. Isso jogou a aprovação do regimento para a manhã seguinte. Essa é uma tática antiga em eventos como esse. Joga-se o importante para bem cedo e desta forma, aqueles que passam a noite em deliberações ou delibarações correm o risco de não acordarem para participar deste momento. Mas mesmo assim a aprovação do Regimento começou no dia 15 com uma hora de atraso e consegui chegar a tempo.

Pouco foi de fato modificado. De cada grupo de trabalho, apenas seis questões iriam para plenária final, conseguimos ampliar esse número para 10, porém obedecendo ao critério de participação. A única entidade a questionar em voz alta e baderna a “Questão Sensível” foi a ENECOS, o restante abaixou a cabeça para a Comissão Organizadora, o que me deixou bastante puta! Ainda tentei puxar uma Questão de Ordem, mas a mesa não me deu idéia.

Ainda no final da tarde começaram os Grupos de Trabalho. Participei do Eixo 3 – Cidadania: Direitos e Deveres; no GT 12, que tratava de educação para a mídia e sustentabilidade. As propostas precisavam de aceitação de 80% do GT para serem aprovadas ainda dentro dos eixos, com menos de 30% seria rejeitada e entre 30% e 80% ficava reservada com a possibilidade de ser escolhida entre as 10 para a plenária final. As votações começaram só no dia 16, no segundo momento de reunião dos GTs. A orientação das comunicações dentro de colégio e IES foi bem definida e aprovada no meu GT, bem como a criação de disciplinas de Leitura Crítica da mídia na grade curricular de escolas.

Os outros GTs também aprovaram coisas importantes, como a volta da obrigatoriedade do diploma para jornalismo, cotas para produção nacional e local, fim da publicidade direcionada para menores de 12 anos, regulamentação da publicidade de bebidas alcoólicas, possibilidade de escolha de canais em pacotes de TV por assinatura, entre outros. O mais feliz foi o GT15, que tratava da proteção dos direitos de crianças, adolescente e das minorias excluídas, como negros e GLBTs. Todas as propostas desse GT foram aprovadas por lá mesmo, sem necessidade de ir para a plenária.

Após todo o trabalho dos GTs, as votações na plenária final não tiveram espaço no dia 16, apenas no dia 17 cedo que começaram de fato (acredito que apenas quatro foram votadas no dia 16 e com a plenária bem esvaziada). O tempo era curto e foi possível apreciar apenas a metade das 140 propostas que deveriam ser votadas. O restante entrou para o caderno sem votação. A votação foi cruel. Empresários em bloco e a Sociedade Civil descordando em alguns pontos. A CUT, que já estava no negativo pela atuação enquanto CO, perdeu mais força quando não defendeu a questão dos trabalhadores autônomos da área.

A criação de um Conselho de Comunicação Social de caráter deliberativo, pontos para o Código de Ética e a criação de uma Nova Lei de Imprensa (que tratam do controle social da mídia) foram aprovadas e tachadas pela Globo (que se retirou da CONFECOM) como censura. Novamente a Globo tenta essa manipulação que acaba atingindo àqueles que não compreendem que Controle Social é uma forma da sociedade garantir sua participação na regulação dos conteúdos e das pautas e não é, de forma alguma, censura.

Todas as propostas que visavam garantir um espaço no horário nobre para o social e o sustentável foram “questões sensíveis” e não foram aprovadas. A que me deixou mais revoltada foi a não aprovação de uma cota nacional para animações. Nem foi um ponto que estava na minha pauta principal de defesa nessa CONFECOM, mas sei que temos tanta gente boa nessa área, que é exportada pela falta de um mercado nacional, o que acaba por desvalorizar nossa tão rica cultura.

No mais, conseguimos acabar cedo com a interrupção das votações e ainda deu para dar um passei pelo aeroporto antes de voar de volta para o Rio de Janeiro. Minha noite, aliás, madrugada, acabou com a revolta com a GOL, tendo que pousar em outro aeroporto e esperar por quase duas horas por um transporte para me levar para o Santos Dumont, onde estavam me esperando. Cheguei cansada e doente de constipação pelo ar seco de Brasília, revoltada com os movimentos sociais, prometendo não me meter mais com isso e virar mais uma burguesinha, mas sei que não conseguirei cumprir a promessa.

Agora as propostas aprovadas serão encaminhados para o Congresso Nacional, para se tornarem base para um novo marco regulatório das comunicações no país. Algumas se tornarão projetos de lei e outras serão implantadas sem essa necessidade. Obviamente algumas também serão ignoradas, mas nem tudo são flores… Uma palavra para definir a CONFECOM? CUMPRA-SE!

Abraço especial: Para os mineiros e/ou kizombolas que conheci nesta CONFECOM e que tornaram tudo mais divertido. Para Álvaro Britto, que é meu padrinho nessa luta, que teve que ir embora mais cedo e não viu a comemoração dos jornalistas após a aprovação da volta do diploma (ponto principal que ele veio defender). Por um lado foi até bom ele ter perdido isso. Foi triste ver jornalistas diplomados rimando sim com sim no grito “A CONFECOM disse que sim, jornalista com diploma sim!”. Para Helder, Gabi e Rodrigo, delegados pelo Poder Público que ficaram ao meu lado durante a plenária. Para a galera da ENECOS, um abraço e um recado: Nós estudantes (e falo ainda como tal, pois não pretendo parar de estudar) somos os mais interessados nessas decisões. Vamos nos aproveitar delas desde o início de nossa profissionalização. Abrir o debate é importante e ouvir as bases também!

Minerada boa!

Questão de Ordem!: Na plenária final eu estava sem voz e constipada suficiente para não falar nada, mas fica o meu agradecimento e revolta: Agradecimento ao Poder Público que ficou ao lado da Sociedade Civil, contra os interesses dos grandes conglomerados de mídia, votando pela democracia e justiça! Revolta com a maldita “questão sensível”, que só serviu para o empresariado dizer que o monopólio da mídia foi reafirmado com a assinatura da Sociedade Civil e do Poder Público.





Muito dinheiro por nada

2 12 2009

Primeiramente vou justificar meu afastamento do blog por conta das conferências de comunicação e dos trabalhos de conclusão de curso. Sim! Vou para a Conferência Nacional  de Comunicação e estou me formando. Entrego hoje meu artigo científico que brevemente irei resumir em um post e ainda estou enrolada com o site de gastronomia que temos que apresentar para uma disciplina que não conseguimos encontrar um template legal e grátis no wordpress para que fique realmente bom, apesar de o conteúdo estar legal. Confesso que a falta de comprometimento do grupo afetou bastante. Mas não é dessa falta de comprometimento que vim falar neste post.

A falta de comprometimento em questão é das organizações Globo com o nacional. Vou começar com um texto conciso de Miriam Aquino (que deve ser jornalista, mas com a queda do diploma já não importa mais) que recebi por e-mail:

A aprovação do projeto de lei 29, que cria novas regras para a TV por assinatura, pela comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, está por um fio. As organizações Globo não querem mais apenas diminuir o poder da Ancine e resolveram se insurgir também contra o produtor independente e as cotas de conteúdo nacional estabelecidas pelo relator do projeto, deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB/CE). Os executivos da empresa têm procurado os deputados da comissão argumentando que, do jeito como está formulado o projeto, o modelo de negócios do grupo ficaria comprometido e isso, argumentam, a emissora não poderia aceitar.

A Globo quer simplesmente a eliminação de todo o artigo 17 do projeto. Este artigo estabelece que, a cada três canais de espaço qualificado oferecido ao assinante, um canal tem que ser nacional, onde pelo menos 1/3 de cada um deles deve ser preenchido por produção independente. Os canais qualificados são os de filmes, novelas, programas de auditório, etc. Além de não aceitar a cota de três para um, a emissora alega que a produtora independente é uma novidade criada pelo atual relator do projeto, visto que nem a proposta do deputado Jorge Bittar (PT/RJ)- quem criou as cotas para o audiovisual nacional- previa a participação de produção independente nos pacotes das TVs pagas.

Como assim??? O que a Globo quer? (lembrando que Globo aqui não é a emissora, são as organizações, donas de diversos canais da TV paga, que reproduzem programas, na sua maioria, americanos, com pouquíssima produção nacional ou independente) Quer simplesmente pagar licença para exibir programas americanos enlatados, que não respeitam nossa identidade cultural e não ter o trabalho de produzir nada nacional e ganhar fortunas por isso?

Briga pela não necessidade do diploma para exercício da profissão de jornalista para que possa contratar jornalistas sem responsabilidade, mas na hora de abrir espaço para a produção independente quer restringir? Estou cansada das contradições do empresariado quando o assunto são as comunicações no país.

Como mencionei no início do post, estou presente na construção da nossa primeira Conferência de Comunicação desde o começo. Participo do Fórum de Mídia Livre do Sul Fluminense há ano e meio e estou na briga desde que ela recomeçou com força total há dois anos. Fui uma das organizadoras da Conferência Regional de Comunicação do Sul Fluminense, que pretendia englobar 13 cidades, mas conseguiu a representatividade de apenas 8 e chorei de raiva quando a Comissão Organizadora invalidou nossa eleição de delegados alegando que não havia critérios nem fiscalização para considerarem as etapas municipais/regionais.

A maior revolta é que conseguiram esta decisão com o apoio da União Nacional dos Estudantes, que fazia parte da Comissão Organizadora estadual. Uma das bandeiras da UNE é a Democratização da Comunicação, uma bandeira comum entre os movimentos sociais como o MST e o Movimento de Mulheres. Eu, como estudante e atuante no campo da comunicação, não observo a participação da UNE tão relevante quanto da ENECOS (Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação), porém o critério para a UNE estar representada e a ENECOS apenas com a suplência é política.

A UNE é PCdoB, a ENECOS PSol, não totalmente, mas majoritariamente. Não entendo como um partidinho estúpido como o PCdoB encontra tanta força nas conferências. Aliás, entendo sim. Eles têm um dom. O de alienar a sociedade civil a ponte de que ela vote contra seus próprios interesses, e essa é a função dos meios de comunicação, que estão nas mãos do empresariado.

Exemplo foi a proposta apresentada pela ruiva aqui durante a etapa estadual. Participei também com muita raiva da regional da Conferência de Educação e fui excluída como delegada, pois não participei de um dos momentos do debate. Propus que, da mesma forma, na Conferência de Comunicação, aqueles que não participassem em todos os momentos do debate fossem excluídos da eleição. Foi como “delegados, quem vota que pode ir à praia hoje à tarde, invés de participar dos painéis, levante seu crachá”. Adivinha o resultado?! Primeiramente o representante da Comissão Organizadora Nacional não queria nem levar a proposta em votação, dizendo que contrariava o regimento da nacional. Que conferência é essa em que se pode ser representante de uma tese sem participar da construção dela, do debate? Mesmo correndo o risco de invalidação, acabamos votando. Mas a praia ganhou, com 100% do empresariado e maioria ainda entre o poder público e a sociedade civil.

As demais votações foram um reflexo dessa: o empresariado em bloco, como o apoio da direita, do PCdoB e do PT light contra nós, reles mortais. Não sei dizer se ver o empresariado dava alegria ou tristeza. Vários meninos e meninas, muitos mais novos que eu, engomadinhos e lindinhos, verdadeiros colírios para alegrar o debate, que foi grosso, tava difícil discutir com os poucos velhos do empresariado que eram os únicos que sabiam o que estavam fazendo ali. As gracinhas? Meu palpite é que eram estagiários ganhando hora extra para encher a plenária. Deu certo. Mesmo não sendo 40% da população, o empresariado conseguiu se equiparar à sociedade civil na representatividade garantida pelo regimento. (Outra estupidez dessa conferência. Desde quando o empresariado é proporcional à sociedade civil na ordem de 40%? O correto seria 60/20 ou pelo menos 50/30).

Com muito sufoco, perda de voz, choro, raiva… passamos por essa etapa. Barra Mansa bem representada com um delegado no poder público (Gabi Misael PMBM) e uma estudante (euzinha!). Em Brasília vai ser pior, mas pelo menos estamos gritando e sendo ouvidos por todos! Quando a sociedade civil parar de se boicotar-se a si própria, conseguimos mudar esse país!

Mesmo com todo pau que levamos, o nosso bloco da sociedade civil foi o que saiu com mais presença nos debates, com mais conhecimento adquirido e com mais companheiros adicionados. PCdoB, empresariado, poder público (alguns estão do nosso lado)… invejem a festa dessa gente bonita que não foge da luta e sempre arruma um motivo pra sambar! Com direito a participação de sósia do Leonardo Boff! Rio! Saudade!





Quando inverte…

10 11 2009

Fiquei chocada com a reportagem sobre o ENADE no portal Comunique-se (leia aqui), que tem a prerrogativa de ser um “Observatório da Imprensa”, mas um pouco tendencioso para a direita. Dessa vez eles extrapolaram o “um pouco”. Fiz o ENADE neste domingo e também achei algumas perguntas meio escabrosas e subliminares, puxando sardinha para o lado do Lula e da esquerda. Mas quando a mídia faz o contrário, puxando sardinha para a direita, quem se pronuncia? Quem se revolta?

A reportagem de Sérgio Matsuura, que teve como especialista o professor Nilson Lage, reproduz uma fala assim: “Cada uma das afirmações dadas como corretas representa uma posição da esquerda reacionária que pretende dominar a consciência das pessoas reproduzindo métodos nazistas e stalinistas: punir quem não concorda, até que o sujeito aceite para não ser punido e termine aderindo. O método do açúcar e chicote”. Ora bolas! Esquerda reacionária? O PSTU roubou as provas do ENAD e trocou-as? Métodos nazistas? Esse cara é professor de que? De história é que nunca seria? Açúcar e chicote? Quando a esquerda reacionária tiver o chicote nas mãos a gente conversa. Coisa feia tentando chamar os oprimidos de opressores!

Concordo que na questão da “marolinha” havia uma dose de Lulismo. Mas não desmereço, pelo menos isso foi comentado e percebido pelos estudantes da minha Universidade. Ponto para nós! Incitou o diálogo. Mas não achei a prova afirmou que “Uma das questões discursivas dizia que os jornais “inventam fatos” e “manipulam notícias””. Eles queriam o que de exemplo? Um jornal já perfeito? Precisavam apresentar o problema para que o estudante resolvesse!

Sou contra o ENADE. Também acho que o MEC deveria formular uma melhor forma de avaliar a instituição e os cursos. Não boicotei por dois motivos: não teria aderência da minha turma e queria saber do meu desempenho. Achei a prova fraca e um pouco tendenciosa, mas o portal Comunique-se exagerou na crítica, provando o que eles dizem que a prova “denuncia” generalizando: um jornalismo direitista irresponsável e tendencioso. Se não podemos confiar nem na mídia para criticá-la em que confiaremos?

Risos… esquerda reacionária foi forçar bem a barra!





O MST que a mídia mostra e a mídia que esconde o MST

4 11 2009

Nunca fui de defender o MST, concordo que muitos são arruaceiros, mas não se pode generalizar, muito menos marginalizar, como a mídia faz. Essa análise crítica foi produzida para um trabalho da faculdade de jornalismo:

O MST que a mídia mostra e a mídia que esconde o MST

mst

Até quem não é da área de comunicação tem consciência, mesmo que inconsciente, que a grande mídia só noticia aquilo que é de interesse das classes dominantes. Mesmo antes da campanha das “Diretas Já”, anunciada em primeira instância pela Rede Globo como uma homenagem ao aniversário da cidade de São Paulo, a visão que a mídia hegemônica apresenta dos fatos é única: aquela que irá manter o mecanismo de controle e poder existente na nossa sociedade.

Se a pauta são os movimentos sociais, a mídia só se manifesta para criticar. O Movimento dos Sem Terra (MST) é o melhor exemplo que se pode dar de tal atitude. Os trabalhadores rurais integrantes do movimento são sempre retratados pelos grandes jornais e emissoras de televisão como arruaceiros e violentos baderneiros. Não tem voz, não dão depoimentos, estão tão errados que não possuem direito nem a defesa. Tem apenas fotos com machados nas mãos ou pilotando tratores, destruindo plantações.

Termos como “invasão” e “barbárie” são constantemente usados para ilustrar as ocupações. Já o termo “grilagem” nem é citado para caracterizar como terras pertencentes à União foram parar nas mãos de particulares. A reforma agrária no Brasil é inversa. Aqueles que não precisam de terras as recebem do governo. Aqueles que precisam delas para seu sustento precisam ultrapassar cercas e viver em barracas na tentativa de consegui-las. Isso a mídia não mostra.

A mídia produz subjetividade, mostrando uma visão única dos fatos e se aproveitando do impacto que os termos citados acima provocam no imaginário daquele que escuta ou lê. Direciona assim a opinião pública contra o MST, sem que esses recebam o mesmo espaço e visibilidade para responderem.

A repressão ao movimento por parte da polícia é ocultada. A retirada de dezenas de famílias de terras improdutivas pertencentes a políticos não é fotografada. O projeto educacional para o povo rural, baseado no método Paulo Freire, oferecido para os filhos dos assentados do MST, que educa pensando na inclusão social, formando mais que alunos, criando seres humanos conhecedores de seus direitos e deveres, nunca é pautado na agenda midiática.

Mas o MST entende de mídia. É o movimento social brasileiro com a comunicação alternativa mais bem organizada. Sempre que atacado pela mídia hegemônica, responde nos veículos alternativos como “Caros Amigos” e “Carta Capital” a sua versão dos fatos. Afirma-se como movimento e desculpa-se quando necessário. Além disso, possui sua própria revista, jornal e página na internet. Caso a população queira ouvir o outro lado e se preocupasse em se informar para se formar, todas as “invasões” são noticiadas pelos próprios sem-terra.





O Desaparecimento da Infância

8 10 2009

menina-mulher

Acabei de ler “O Desaparecimento da Infância”, de Neil Postman, para o meu Trabalho de Conclusão de Curso. Apesar de escrito na década de 70, o livro é assustadoramente atual.

Comecei a leitura pensando em encontrar respostas psicológicas sobre a influência da mídia nesse “novo” comportamento de nossas crianças: a descoberta cada vez mais cedo da sexualidade, o consumismo exacerbado e o fim das brincadeiras, principalmente as de rua.

Encontrei mais que isso. O autor divide o livro em duas parte: a primeira fala sobre o surgimento da infância, três séculos atrás, relacionando o fato com a invenção da prensa de Gutenberg, que posteriormente seria a responsável pela caracterização das crianças como os “não-alfabetizados”, forçando-os a passar pêra recém-criada escola como forma de transição da vida adulta.

Na segunda parte começa realmente o tema do livro, de como a infância, como foi concebida, está desaparecendo nos dias atuais (desde antes de 1970). Além da adultização da criança, Posman tocou em um ponto que eu não havia pensado: a infantilização do adulto. Exemplos são vários: quarentonas de mini-saia, executivos no Mac Donalds, adultos assistindo desenhos animados.

Para minha surpresa, ele fala mais da televisão do que eu esperava. Ele responsabiliza a TV pela criação de analfabetos funcionais, mais preocupados com a imagem do apresentador do que propriamente com a notícia que está sendo passada, diga-se de passagem, bem superficialmente. Não há contextualização da notícia, nem desdobramento ou continuidade. O telespectador é levado momentaneamente à emoção, logo apagada pela emoção da notícia seguinte. Não há digestão, não há reflexão. Com esta forma de apresentação da notícia na TV, crianças de sete anos já têm a mesma capacidade que os adultos de assimilar o conteúdo. Não há estímulo para reflexão, assim, adultos e crianças acabam por repetir (repito, da mesma forma) idéias pré digeridas, “amolecendo o músculo do pensamento” (Flávio Paiva – Jornalista, em “Criança, a Alma do Negócio”).

crianca_vendo_tv

Mas o que me deixou realmente assustada não foi isso. Os dados do analfabetismo funcional no Brasil eu já conhecia, e acreditem, está acima dos 50%. Primeiro vou contar o que me assustou no dia de hoje. Comecei a aplicação dos questionários para a pesquisa em crianças de 8 a 11 anos. A primeira pergunta era: “Quantas horas por dia você passa assistindo TV?” De uma turma de quase 30 alunos, dois responderam 13 horas, e um 15 horas! E os demais não ficaram muito longe disso não, não fiz a média, mas acredito que será próximo das 7 horas. Uma vez um médico que considero muito sábio me disse que devemos distribuir bem as horas dos nossos dias: 8 para as obrigações – trabalho, ou no caso deles o estudo; 8 para a socialização e diversão – relacionamentos interpessoais, brincadeiras, happy hour e até a televisão; e mais oito para a saúde – ou seja, o sono. Se 7 horas são gastas na TV, onde estão os relacionamentos? Onde estão as brincadeiras? Tenho até medo de pegar as respostas de “Você gosta mais de assistir TV ou de brincar?”

Mas o que me assustou no livro foi o crescimento dos índices de criminalidade entre as crianças. Ele relata um fato de uma menina de 12 anos que foi estuprada por três meninos: um de 15, um de 11 e um de 9. Nove anos! Quase chorei! Fora outras agressões, assaltos à mão armada, roubos de carro, invasões domiciliares… Difícil de compreender ou de explicar o que está acontecendo com o mundo.

Outro fato que merece destaque são as meninas de 8 anos aproximadamente. Indo para a escola maquiadas, até com sombra nos olhos. Fui à uma escola de periferia, onde a maioria das crianças não tem internet e só tem TV a cabo graças à GatoNet, e as meninas estavam maquiadas para uma aula às 7h da manhã. Eu sofri para acordar nesse horário! Quando eu tinha a idade delas eu ia para a escola com remela nos olhos e minha mãe tinha que brigar comigo para pentear meus cabelos! Elas assistem TV até meia-noite e acordam cedo para se maquiarem para assistir aulas. Comecei a me maquiar para ir às aulas este ano, porque senti os sinais da idade aparecendo nas minhas olheiras. Meus amigos até perguntam o que aconteceu e eu respondo “Tô virando menina”. Não que eu não seja vaidosa, procuro estar sempre com os cabelos arrumados e para trabalhar sempre me vestia bem. Agora essa coisa de meninas de 8 anos querendo parecer a Barbie, aliás, a Hannah Montana, é de assustar! Hannah Montana tem uma vida dupla e usa salto 12 aos 12 anos!

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Com a minha pesquisa, agora com as teorias de Piaget, descobri que a hierarquia de valores é uma coisa formada na criança entre os 7 e 12 anos. É justamente nessa idade que ela é bombardeada por mensagens publicitárias que implantam nelas os valores de mercado consumidor e as transformam nesses seres consumistas. Ela não sabe o porquê quer alguma coisa, só sabe que quer. Não define o motivo pela sua utilização prática, mas porque “viu na TV”, “o amiguinho tem”, “é legal ter”… Precisam consumir para pertencer a um grupo. A concepção de grupo também é assimilada nessa idade.

A minha infância já foi bastante influenciada pela TV, eu assistia o Chaves, pica-pau, she-há, TV Colosso… Mas eu também jogava Imagem e Ação, War, brincava de queimada, pique, bandeirinha… Eles nem sabem o que é isso. E quando digo para eles que eu não gosto de televisão e ainda brinco, que tenho jogos de tabuleiro, e até pique a gente brinca de vez em quando (eles não precisam saber que a cerveja acompanha), eles se assustam.

Muitos falam que a mãe não deixa brincar na rua. Entendo que pode ser perigoso, os pais não tem mais tempo de levar as crianças às praças e ficarem sentados no banco observando e conversando, mas deve haver alguma solução, como uma tarde de jogos de tabuleiro na casa do amiguinho, eu fazia isso também.

Para não me alongar mais, vou concluir. A leitura desse livro me deixou feliz com a infância que tive. Considerando que moro no interior e no Brasil, talvez a última geração de crianças felizes pelo conceito de infância (nos outros locais foi antes da minha) e reforcei ainda mais minha opinião: Nunca terei filhos!





Paranóia

6 10 2009

Por que será que toda mulher é paranóica e nunca está satisfeita? Não que isso me faça uma diferença absurda, mas em muitos momentos da minha vida eu desejaria não ser tão paranóica e insatisfeita assim. Como se já não me bastasse a minha inconstância de humor, sou obrigada a lidar com a inconstância de outras pessoas.

Sempre me achei boa para perceber as pessoas. Como são, quais seus objetivos, quais suas intenções. Mas de uns tempos pra cá estou começando a perceber que não sou tão boa assim pra classificar as pessoas em boas ou más. No ano passado e no começo deste me decepcionei com tantas pessoas que considerava boas e incapazes de fazerem o q fizeram comigo. Isso me rendeu uma bela paranóia com relacionamentos.

Fico tentando adivinhar o que as pessoas pensam ou sentem. Cheguei ao nível de paranóia de mandar um sms bêbada perguntando “o que você sente por mim?” Pergunta que eu jamais faria de cara! Não apenas por não querer saber a resposta, mas também porque se a pergunta fosse inversa eu não saberia e nem iria querer responder!

Indiretamente comecei uma nova reforma na minha vida. Novos amigos, novas prioridades, novas formas de diversão, novos planos para o futuro… Talvez tudo fruto de uma paranóia recente. Ontem estava olhando para o passado. Uns dois anos atrás… Nossa, na memória parece que foi ontem, no coração parece que são memórias de outra vida ou de outra pessoa… Não consigo nem me lembrar do peso das borboletas de outrora.

Talvez seja síndrome de protagonista ao inverso… ou síndrome de Macunaíma. O fato é que todo mundo vê as pingas que eu tomo, mas ninguém vê os tombos que eu levo. Se fosse para a TV, minha vida seria um seriado tão dramático quanto Grey’s Anatomy e com tantos fofoqueiros quanto Gossip Girl. Porque cada um não cuida apenas da sua própria vida?





O poder de um corte de cabelo

20 09 2009

cabeleireiro

Todo mundo precisa em um certo ponto se reinventar. Chega um momento que ficamos tão cansados de nós mesmo, da imagem que vemos no espelho, das coisas que dizemos e sentimos, dos lugares que freqüentamos e das pessoas que vemos. Ficamos submersos nessa mesmice e não sabemos o ponto de partida para a reinvenção.

Eu corto o cabelo. Corto, pinto, trato. Não apenas tirar as pontas, mas mudar mesmo de corte. Parece que, na medida em que os fios caem no chão do salão, as coisas que quero tirar da minha vida vão caindo junto. Demora um pouco pra ficha cair, ainda fico remoendo um pouco, mas em uma semana ou duas eu já me torno uma pessoa diferente. Normalmente não a pessoa que eu queria ser, mas a mudança sempre funciona.

Você olha as novas fotos e não se reconhece, parece que aquilo ativa uma aera nova no seu cérebro e você pensa: Essa sou eu, o novo Eu. E você passa por um período de descobertas: O que esse novo eu faz? O que ela quer? O que ela gosta? Pra onde ela vai? E o mais importante: Pra onde ela quer ir? É uma forma inteligente de desistir de coisas e pessoas. Você não desiste propriamente, não vivencia o fracasso, você apenas estabelece novas metas e rumos para sua vida.

Cortei o cabelo esta semana e ontem em um momento de bebedeira assumi o novo Eu. Pensei no que eu quero fazer da vida e principalmente no que eu NÃO quero mais fazer. Costumo relutar em desistir, mas tem coisas que a gente vê que não valem a pena. Ficar dando murro em ponta de faca não é o meu estilo, nem nunca foi o estilo dos vários Eus que já assumi.

As perguntas sobre o que meu novo Eu precisa ainda não foram respondidas, inauguro hoje um novo período de autoconhecimento levando meu novo Eu para sair da toca. Veremos o que vou encontrar e no que isso vai dar. Cabelo novo, vida nova!