Quando inverte…

10 11 2009

Fiquei chocada com a reportagem sobre o ENADE no portal Comunique-se (leia aqui), que tem a prerrogativa de ser um “Observatório da Imprensa”, mas um pouco tendencioso para a direita. Dessa vez eles extrapolaram o “um pouco”. Fiz o ENADE neste domingo e também achei algumas perguntas meio escabrosas e subliminares, puxando sardinha para o lado do Lula e da esquerda. Mas quando a mídia faz o contrário, puxando sardinha para a direita, quem se pronuncia? Quem se revolta?

A reportagem de Sérgio Matsuura, que teve como especialista o professor Nilson Lage, reproduz uma fala assim: “Cada uma das afirmações dadas como corretas representa uma posição da esquerda reacionária que pretende dominar a consciência das pessoas reproduzindo métodos nazistas e stalinistas: punir quem não concorda, até que o sujeito aceite para não ser punido e termine aderindo. O método do açúcar e chicote”. Ora bolas! Esquerda reacionária? O PSTU roubou as provas do ENAD e trocou-as? Métodos nazistas? Esse cara é professor de que? De história é que nunca seria? Açúcar e chicote? Quando a esquerda reacionária tiver o chicote nas mãos a gente conversa. Coisa feia tentando chamar os oprimidos de opressores!

Concordo que na questão da “marolinha” havia uma dose de Lulismo. Mas não desmereço, pelo menos isso foi comentado e percebido pelos estudantes da minha Universidade. Ponto para nós! Incitou o diálogo. Mas não achei a prova afirmou que “Uma das questões discursivas dizia que os jornais “inventam fatos” e “manipulam notícias””. Eles queriam o que de exemplo? Um jornal já perfeito? Precisavam apresentar o problema para que o estudante resolvesse!

Sou contra o ENADE. Também acho que o MEC deveria formular uma melhor forma de avaliar a instituição e os cursos. Não boicotei por dois motivos: não teria aderência da minha turma e queria saber do meu desempenho. Achei a prova fraca e um pouco tendenciosa, mas o porta Comunique-se exagerou na crítica, provando o que eles dizem que a prova “denuncia” generalizando: um jornalismo direitista irresponsável e tendencioso. Se não podemos confiar nem na mídia para criticá-la em que confiaremos?

Risos… esquerda reacionária foi forçar bem a barra!





O MST que a mídia mostra e a mídia que esconde o MST

4 11 2009

Nunca fui de defender o MST, concordo que muitos são arruaceiros, mas não se pode generalizar, muito menos marginalizar, como a mídia faz. Essa análise crítica foi produzida para um trabalho da faculdade de jornalismo:

O MST que a mídia mostra e a mídia que esconde o MST

mst

Até quem não é da área de comunicação tem consciência, mesmo que inconsciente, que a grande mídia só noticia aquilo que é de interesse das classes dominantes. Mesmo antes da campanha das “Diretas Já”, anunciada em primeira instância pela Rede Globo como uma homenagem ao aniversário da cidade de São Paulo, a visão que a mídia hegemônica apresenta dos fatos é única: aquela que irá manter o mecanismo de controle e poder existente na nossa sociedade.

Se a pauta são os movimentos sociais, a mídia só se manifesta para criticar. O Movimento dos Sem Terra (MST) é o melhor exemplo que se pode dar de tal atitude. Os trabalhadores rurais integrantes do movimento são sempre retratados pelos grandes jornais e emissoras de televisão como arruaceiros e violentos baderneiros. Não tem voz, não dão depoimentos, estão tão errados que não possuem direito nem a defesa. Tem apenas fotos com machados nas mãos ou pilotando tratores, destruindo plantações.

Termos como “invasão” e “barbárie” são constantemente usados para ilustrar as ocupações. Já o termo “grilagem” nem é citado para caracterizar como terras pertencentes à União foram parar nas mãos de particulares. A reforma agrária no Brasil é inversa. Aqueles que não precisam de terras as recebem do governo. Aqueles que precisam delas para seu sustento precisam ultrapassar cercas e viver em barracas na tentativa de consegui-las. Isso a mídia não mostra.

A mídia produz subjetividade, mostrando uma visão única dos fatos e se aproveitando do impacto que os termos citados acima provocam no imaginário daquele que escuta ou lê. Direciona assim a opinião pública contra o MST, sem que esses recebam o mesmo espaço e visibilidade para responderem.

A repressão ao movimento por parte da polícia é ocultada. A retirada de dezenas de famílias de terras improdutivas pertencentes a políticos não é fotografada. O projeto educacional para o povo rural, baseado no método Paulo Freire, oferecido para os filhos dos assentados do MST, que educa pensando na inclusão social, formando mais que alunos, criando seres humanos conhecedores de seus direitos e deveres, nunca é pautado na agenda midiática.

Mas o MST entende de mídia. É o movimento social brasileiro com a comunicação alternativa mais bem organizada. Sempre que atacado pela mídia hegemônica, responde nos veículos alternativos como “Caros Amigos” e “Carta Capital” a sua versão dos fatos. Afirma-se como movimento e desculpa-se quando necessário. Além disso, possui sua própria revista, jornal e página na internet. Caso a população queira ouvir o outro lado e se preocupasse em se informar para se formar, todas as “invasões” são noticiadas pelos próprios sem-terra.





O Desaparecimento da Infância

8 10 2009

menina-mulher

Acabei de ler “O Desaparecimento da Infância”, de Neil Postman, para o meu Trabalho de Conclusão de Curso. Apesar de escrito na década de 70, o livro é assustadoramente atual.

Comecei a leitura pensando em encontrar respostas psicológicas sobre a influência da mídia nesse “novo” comportamento de nossas crianças: a descoberta cada vez mais cedo da sexualidade, o consumismo exacerbado e o fim das brincadeiras, principalmente as de rua.

Encontrei mais que isso. O autor divide o livro em duas parte: a primeira fala sobre o surgimento da infância, três séculos atrás, relacionando o fato com a invenção da prensa de Gutenberg, que posteriormente seria a responsável pela caracterização das crianças como os “não-alfabetizados”, forçando-os a passar pêra recém-criada escola como forma de transição da vida adulta.

Na segunda parte começa realmente o tema do livro, de como a infância, como foi concebida, está desaparecendo nos dias atuais (desde antes de 1970). Além da adultização da criança, Posman tocou em um ponto que eu não havia pensado: a infantilização do adulto. Exemplos são vários: quarentonas de mini-saia, executivos no Mac Donalds, adultos assistindo desenhos animados.

Para minha surpresa, ele fala mais da televisão do que eu esperava. Ele responsabiliza a TV pela criação de analfabetos funcionais, mais preocupados com a imagem do apresentador do que propriamente com a notícia que está sendo passada, diga-se de passagem, bem superficialmente. Não há contextualização da notícia, nem desdobramento ou continuidade. O telespectador é levado momentaneamente à emoção, logo apagada pela emoção da notícia seguinte. Não há digestão, não há reflexão. Com esta forma de apresentação da notícia na TV, crianças de sete anos já têm a mesma capacidade que os adultos de assimilar o conteúdo. Não há estímulo para reflexão, assim, adultos e crianças acabam por repetir (repito, da mesma forma) idéias pré digeridas, “amolecendo o músculo do pensamento” (Flávio Paiva – Jornalista, em “Criança, a Alma do Negócio”).

crianca_vendo_tv

Mas o que me deixou realmente assustada não foi isso. Os dados do analfabetismo funcional no Brasil eu já conhecia, e acreditem, está acima dos 50%. Primeiro vou contar o que me assustou no dia de hoje. Comecei a aplicação dos questionários para a pesquisa em crianças de 8 a 11 anos. A primeira pergunta era: “Quantas horas por dia você passa assistindo TV?” De uma turma de quase 30 alunos, dois responderam 13 horas, e um 15 horas! E os demais não ficaram muito longe disso não, não fiz a média, mas acredito que será próximo das 7 horas. Uma vez um médico que considero muito sábio me disse que devemos distribuir bem as horas dos nossos dias: 8 para as obrigações – trabalho, ou no caso deles o estudo; 8 para a socialização e diversão – relacionamentos interpessoais, brincadeiras, happy hour e até a televisão; e mais oito para a saúde – ou seja, o sono. Se 7 horas são gastas na TV, onde estão os relacionamentos? Onde estão as brincadeiras? Tenho até medo de pegar as respostas de “Você gosta mais de assistir TV ou de brincar?”

Mas o que me assustou no livro foi o crescimento dos índices de criminalidade entre as crianças. Ele relata um fato de uma menina de 12 anos que foi estuprada por três meninos: um de 15, um de 11 e um de 9. Nove anos! Quase chorei! Fora outras agressões, assaltos à mão armada, roubos de carro, invasões domiciliares… Difícil de compreender ou de explicar o que está acontecendo com o mundo.

Outro fato que merece destaque são as meninas de 8 anos aproximadamente. Indo para a escola maquiadas, até com sombra nos olhos. Fui à uma escola de periferia, onde a maioria das crianças não tem internet e só tem TV a cabo graças à GatoNet, e as meninas estavam maquiadas para uma aula às 7h da manhã. Eu sofri para acordar nesse horário! Quando eu tinha a idade delas eu ia para a escola com remela nos olhos e minha mãe tinha que brigar comigo para pentear meus cabelos! Elas assistem TV até meia-noite e acordam cedo para se maquiarem para assistir aulas. Comecei a me maquiar para ir às aulas este ano, porque senti os sinais da idade aparecendo nas minhas olheiras. Meus amigos até perguntam o que aconteceu e eu respondo “Tô virando menina”. Não que eu não seja vaidosa, procuro estar sempre com os cabelos arrumados e para trabalhar sempre me vestia bem. Agora essa coisa de meninas de 8 anos querendo parecer a Barbie, aliás, a Hannah Montana, é de assustar! Hannah Montana tem uma vida dupla e usa salto 12 aos 12 anos!

hannah_montana

Com a minha pesquisa, agora com as teorias de Piaget, descobri que a hierarquia de valores é uma coisa formada na criança entre os 7 e 12 anos. É justamente nessa idade que ela é bombardeada por mensagens publicitárias que implantam nelas os valores de mercado consumidor e as transformam nesses seres consumistas. Ela não sabe o porquê quer alguma coisa, só sabe que quer. Não define o motivo pela sua utilização prática, mas porque “viu na TV”, “o amiguinho tem”, “é legal ter”… Precisam consumir para pertencer a um grupo. A concepção de grupo também é assimilada nessa idade.

A minha infância já foi bastante influenciada pela TV, eu assistia o Chaves, pica-pau, she-há, TV Colosso… Mas eu também jogava Imagem e Ação, War, brincava de queimada, pique, bandeirinha… Eles nem sabem o que é isso. E quando digo para eles que eu não gosto de televisão e ainda brinco, que tenho jogos de tabuleiro, e até pique a gente brinca de vez em quando (eles não precisam saber que a cerveja acompanha), eles se assustam.

Muitos falam que a mãe não deixa brincar na rua. Entendo que pode ser perigoso, os pais não tem mais tempo de levar as crianças às praças e ficarem sentados no banco observando e conversando, mas deve haver alguma solução, como uma tarde de jogos de tabuleiro na casa do amiguinho, eu fazia isso também.

Para não me alongar mais, vou concluir. A leitura desse livro me deixou feliz com a infância que tive. Considerando que moro no interior e no Brasil, talvez a última geração de crianças felizes pelo conceito de infância (nos outros locais foi antes da minha) e reforcei ainda mais minha opinião: Nunca terei filhos!





Paranóia

6 10 2009

Por que será que toda mulher é paranóica e nunca está satisfeita? Não que isso me faça uma diferença absurda, mas em muitos momentos da minha vida eu desejaria não ser tão paranóica e insatisfeita assim. Como se já não me bastasse a minha inconstância de humor, sou obrigada a lidar com a inconstância de outras pessoas.

Sempre me achei boa para perceber as pessoas. Como são, quais seus objetivos, quais suas intenções. Mas de uns tempos pra cá estou começando a perceber que não sou tão boa assim pra classificar as pessoas em boas ou más. No ano passado e no começo deste me decepcionei com tantas pessoas que considerava boas e incapazes de fazerem o q fizeram comigo. Isso me rendeu uma bela paranóia com relacionamentos.

Fico tentando adivinhar o que as pessoas pensam ou sentem. Cheguei ao nível de paranóia de mandar um sms bêbada perguntando “o que você sente por mim?” Pergunta que eu jamais faria de cara! Não apenas por não querer saber a resposta, mas também porque se a pergunta fosse inversa eu não saberia e nem iria querer responder!

Indiretamente comecei uma nova reforma na minha vida. Novos amigos, novas prioridades, novas formas de diversão, novos planos para o futuro… Talvez tudo fruto de uma paranóia recente. Ontem estava olhando para o passado. Uns dois anos atrás… Nossa, na memória parece que foi ontem, no coração parece que são memórias de outra vida ou de outra pessoa… Não consigo nem me lembrar do peso das borboletas de outrora.

Talvez seja síndrome de protagonista ao inverso… ou síndrome de Macunaíma. O fato é que todo mundo vê as pingas que eu tomo, mas ninguém vê os tombos que eu levo. Se fosse para a TV, minha vida seria um seriado tão dramático quanto Grey’s Anatomy e com tantos fofoqueiros quanto Gossip Girl. Porque cada um não cuida apenas da sua própria vida?





O poder de um corte de cabelo

20 09 2009

cabeleireiro

Todo mundo precisa em um certo ponto se reinventar. Chega um momento que ficamos tão cansados de nós mesmo, da imagem que vemos no espelho, das coisas que dizemos e sentimos, dos lugares que freqüentamos e das pessoas que vemos. Ficamos submersos nessa mesmice e não sabemos o ponto de partida para a reinvenção.

Eu corto o cabelo. Corto, pinto, trato. Não apenas tirar as pontas, mas mudar mesmo de corte. Parece que, na medida em que os fios caem no chão do salão, as coisas que quero tirar da minha vida vão caindo junto. Demora um pouco pra ficha cair, ainda fico remoendo um pouco, mas em uma semana ou duas eu já me torno uma pessoa diferente. Normalmente não a pessoa que eu queria ser, mas a mudança sempre funciona.

Você olha as novas fotos e não se reconhece, parece que aquilo ativa uma aera nova no seu cérebro e você pensa: Essa sou eu, o novo Eu. E você passa por um período de descobertas: O que esse novo eu faz? O que ela quer? O que ela gosta? Pra onde ela vai? E o mais importante: Pra onde ela quer ir? É uma forma inteligente de desistir de coisas e pessoas. Você não desiste propriamente, não vivencia o fracasso, você apenas estabelece novas metas e rumos para sua vida.

Cortei o cabelo esta semana e ontem em um momento de bebedeira assumi o novo Eu. Pensei no que eu quero fazer da vida e principalmente no que eu NÃO quero mais fazer. Costumo relutar em desistir, mas tem coisas que a gente vê que não valem a pena. Ficar dando murro em ponta de faca não é o meu estilo, nem nunca foi o estilo dos vários Eus que já assumi.

As perguntas sobre o que meu novo Eu precisa ainda não foram respondidas, inauguro hoje um novo período de autoconhecimento levando meu novo Eu para sair da toca. Veremos o que vou encontrar e no que isso vai dar. Cabelo novo, vida nova!





Caça às borboletas

16 09 2009

borboletas-barriga

 

Ontem travei um longo diálogo de autoconhecimento com um amigo de longe através do MSN. Estávamos tentando traçar perfis, entender fatos e coisas do gênero. Conversa vai, conversa vem… Ainda estava com o último post na cabeça, mais especificamente com uma frase que foi a única (além do desfecho) escrita não pensando exclusivamente nos meus amigos, mas também voltada para o período que eu estou vivendo: “Ou simplesmente estamos tão cansados da solidão, do vazio no coração, que tentamos colocar qualquer coisa no lugar.”

Cheguei à conclusão que no meu caso não é “ocupar um vazio no coração”, mas no estômago. É, mas não um vazio preenchido por comida, mas por insetos. Por aquelas borboletas que às vezes voam por lá e nos fazem sentir aquele friozinho na barriga gostoso, como quando estamos em uma montanha-russa.

Lembro-me que desde sempre gosto de sentir esse friozinho. Quando estamos nervosos para a apresentação de um trabalho, antes de fazer uma prova (não uma prova difícil, mas que represente muito o resultado), antes de uma entrevista para um emprego que você deseja muito, antes de subir no palco para um teatro, antes de entrar ao vivo em um programa de rádio ou TV, antes de fazer uma pergunta inteligente alto em uma palestra… ou, o meu favorito, antes de encontrar com aquela pessoa especial.

O problema é que já estou tão calejada da vida que está cada vez mais raro sentir essas borboletas dançando no meu ventre. Não as senti na Conferência de Comunicação, apesar de ter ficado tão ansiosa que passei mais de três noites sem dormir direito. Talvez umas três tenham se perdido no meu estômago antes da entrevista na rádio, mas ainda não foram o suficiente. Atravessei do Rio a Fortal e nada naquela cidade me fez sentir nada parecido… Acho que falta aventura na minha vida.

As mesmas três borboletas que se manifestaram neste período apareceram por alguns momentos na última sexta-feira, mas não sei ainda se foram reais ou se eu pensei tanto nelas que elas acabaram por acordar de seu sono profundo. Isso me deixou mais confusa ainda sobre como estou me sentindo devo me sentir.

Essa mesma pessoa com a qual estava conversando me contou que desistiu do amor. Que não se entregava mais. Já ouvi outras pessoas falando isso e continuo achando triste. Essa é uma das coisas que coloco na lista de coisas que “Eu Nunca” fiz. Assim como nunca tentei parar de fumar, também nunca maldisse a paixão. Mesmo que ambas as coisas me matem aos poucos e me façam sofrer, são formas de me sentir viva. (You bleed Just to know you’re alive – esse foi um dos meus argumentos para ele).

No final do ano passado estava passando por um período meio complicado de relacionamento, querendo a qualquer custo arrancar uma pessoa do meu coração e fui conversar com uma amiga sobre resoluções de ano novo. Ela, que tinha acabado de terminar um namoro que sofreu muito, me disse que em 2009 ela queria se apaixonar. Que queria amar tanto que doesse, mesmo que não fosse correspondida. Eu não entendi na hora, ela tinha acabado de passar por um sofrimento desses e queria sofrer de novo? Agora eu entendo que ela estava falando dessas borboletas.

Prefiro continuar na caça delas, me entregando sem certezas, sem evitar o que pode estar por vir. Vou fechar com o comentário de um amigo no último post e com uma frase do teatro mágico:

“o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida. Antes idiota que infeliz!” – Arnaldo Jabor.

“Vou engarrafar essa dor, vou engarrafar a saudade! Vou me embriagar de tristeza, bendizendo ela vira beleza. Gentileza gera gentileza!” –  Teatro Mágico.





Os personagens que criamos

16 09 2009

all star2

Hoje no twitter observei uma amiga minha desabafando sobre as vergonhas do passado. Que em um período de sua adolescência chegou a assinar o sobrenome “Hanson”. Respondi prontamente que eu também havia passado por essa fase com o mesmo sobrenome, mas que agora adotei por tempo indeterminado o alterego Van der Woodsen (o sobrenome da loira S. de Gossip Girl). Já tem mais de um ano que tenho variado o sobrenome do meu Orkut entre vários alteregos que encontrei pelos seriados da vida. Comecei com O’Marley, depois Stevens e Yang (todos de Grey’s Anatomy) e até Harper (de Two and a Half Man). Isso para exemplificar o momento que estava vivendo e como estava me sentindo com tudo.

Tentamos desesperadamente nos encontrar nos outros. Sejam eles personagens ta telinha (ou da telona, as telas aumentaram consideravelmente nos últimos anos) ou em pessoas próximas de nós, que muitas vezes nem conhecemos direito. Hoje também outra amiga minha soltou a frase “até nisso ele é parecido comigo”, falando a respeito de uma pessoa que ontem ela assumiu não saber nada de concreto a respeito e com a qual vive fantasiando diálogos.

Fantasiar diálogos. Aposto que mais da metade das pessoas sobre a Terra faz isso. Tentamos imaginar as resposta que teríamos de pessoas para as quais não temos coragem de fazer tais perguntas. Achamos que, por conhecer relativamente bem alguém, sabemos as palavras que diriam em uma determinada ocasião, mas acabamos transformando essas pessoas em personagens em nossa mente fértil.

Outro exemplo disso que tenho observado nos meus amigos ultimamente. Não é apenas a “invenção de respostas”, mas a idealização de pessoas. Os vejo cobrando atitudes de pessoas que em momento algum se comprometeram a fazer algo semelhante do que eles esperam. Confesso que fiz isso por muitos anos da minha vida e só fui curada por volta de março deste ano, de uma forma que sofri tanto que talvez fosse melhor que continuasse no mundo da imaginação…

Em um dos meus diálogos de ontem a mesma amiga me disse que “endeusou” muito certa pessoa, e por isso não conseguia se afastar dela. Eu, com toda minha filosofia de boteco respondi “Deuses não foram feitos para serem tocados”. Às vezes é difícil perceber que esses personagens simplesmente não existem…

Podemos nos encontrar em um momento de carência tão grande, que ao conhecermos uma pessoa refletimos nela todas as nossas expectativas. Ela não combina conosco, não se encaixa em nossas vidas, mas a convertemos em tudo aquilo que esperamos e criamos um vínculo, uma dependência de uma pessoa inventada. Queremos tanto ver tais características, ler alguns sinais, que acabamos por enxergá-los onde não estão presentes. Ou simplesmente estamos tão cansados da solidão, do vazio no coração, que tentamos colocar qualquer coisa no lugar.

O contrário também acontece. Traçamos para nossa vida um objetivo de pessoa que desejamos encontrar. Muitas vezes colocamos esses objetivos tão distantes daquilo que achamos que podemos encontrar, justamente para que seja impossível. Quando encontramos uma pessoa que, surpreendentemente, se encaixa naquilo que definimos como ideal, ficamos procurando defeitos que não nos incomodavam e que, muitas vezes, nem existem.

Essas pessoas acabam por se tornar também personagens. Fugimos delas por mais que sejam perfeitas. Talvez por não estarmos prontos para um compromisso, ou simplesmente por achar que não merecemos a perfeição. Eu já me conformei que não mereço uma rara exceção e já me privei da felicidade por uma ou duas vezes…

Mas como boa Van der Woodsen que sou, vivo no mundinho dos meus seriados, com elenco fixo e variado… Personagens vem e vão, mas a minha felicidade permanece… independentemente de relacionamentos, minha inconstância me permite tentar sempre… Afinal de contas… Me apaixono todo dia, é sempre a pessoa errada… (e você sorriu e disse: “eu gosto de você também”… será que vai embora cedo demais?).





Síndrome dos vinte e tantos

8 09 2009

Recebi o texto por e-mail e decidi propagar…

A  chamam de ‘crise do quarto de vida’. Você começa a se dar conta de que seu círculo de amigos é menor do que há alguns anos. Se dá conta de que é cada  vez  mais  difícil  vê-los  e  organizar horários por diferentes questões: trabalho, estudo, namorado(a) etc.. E cada vez desfruta mais dessarvejinha que serve como desculpa para conversar um pouco.

As  multidões  já  não  são ‘tão divertidas’… E as vezes até lhe incomodam. E você estranha o bem-bom da escola, dos grupos, de socializar com as mesmas pessoas de forma constante.

Mas  começa a se dar conta de que enquanto alguns eram verdadeiros amigos, outros não eram tão especiais depois de tudo. Você começa a perceber que algumas  pessoas  são egoístas e que, talvez, esses amigos que você acreditava serem próximos não são exatamente as melhores pessoas que conheceu e que o pessoal com quem perdeu contato são os amigos mais importantes para você.

Ri  com mais vontade, mas chora com menos lágrimas e mais dor. Partem seu coração e você se pergunta como essa pessoa que amou tanto pôde lhe fazer tanto  mal.  Ou,  talvez,  a  noite  você se lembre e se pergunte por que não pode conhecer alguém o suficiente interessante para querer conhecê-lo melhor.  Parece  que todos que você conhece já estão namorando há anos e alguns começam a se casar. Talvez você também, realmente, ame alguém, mas, simplesmente, não tem certeza se está preparado (a) para se comprometer pelo resto da vida.

Os  rolês e encontros de uma noite começam a parecer baratos e ficar bêbado(a) e agir como um(a) idiota começa a parecer, realmente, estúpido. Sair três vezes por final de semana lhe deixa esgotado(a) e significa muito dinheiro para seu pequeno salário.

Olha  para o seu trabalho e, talvez, não esteja nem perto do que pensava que estaria fazendo. Ou, talvez, esteja procurando algum trabalho e pensa que tem que começar de baixo e isso lhe dá um pouco de medo.

Dia  a  dia,  você trata de começar a se entender, sobre o que quer e o que não quer. Suas opiniões se tornam mais fortes. Vê o que os outros estão fazendo  e  se encontra julgando um pouco mais do que o normal, porque, de repente, você tem certos laços em sua vida e adiciona coisas a sua lista do que é aceitável e do que não é.

Às  vezes,  você se sente genial e invencível, outras… Apenas com medo e confuso (a). De repente, você trata de se obstinar ao passado, mas se dá conta  de  que  o  passado  se  distancia  mais e que não há outra opção a não ser continuar avançando. Você se preocupa com o futuro, empréstimos, dinheiro… E com construir uma vida para você.

E enquanto ganhar a carreira seria grandioso, você não queria estar competindo nela.

O  que,  talvez,  você  não se dê conta, é que todos que estamos lendo esse texto nos identificamos com ele. Todos nós que temos ‘vinte e tantos’ e gostaríamos de voltar aos 15-16 algumas vezes. Parece ser um lugar instável, um caminho de passagem, uma bagunça na cabeça…

Mas  TODOS dizem que é a melhor época de nossas vidas e não temos que deixar de aproveitá-la por causa dos nossos medos… Dizem que esse tempo é o cimento do nosso futuro.
Parece que foi ontem que tínhamos 16…

Então, amanha teremos 30?!?!

Assim tão rápido?!?!

FAÇAMOS VALER NOSSO TEMPO… QUE ELE NAO PASSE!

A  vida não se mede pelas vezes que você respira, mas sim por aqueles momentos que lhe deixam sem fôlego…

Envie esse texto a seus amigos de vinte e tantos… Talvez, ajude a alguém a se dar conta de que não está sozinho em meio a tanta confusão…

Acabei de ler e me deu vontade de ouvir uma música em especial: Meninos e Meninas do Legião… “Tenho quase certeza que eu não sou daqui…”





Microsoft racista!

26 08 2009

Geeeeente!

Recebi um e-mail agora e fiquei chocada! Um site da Photoshop anunciando o produto e com a foto abaixo para exemplificar o que se pode fazer no programa…

microbloodysoft

E abaixo está escrito:

Would you like to:

Use the original American images?

Hire a local photographer?

Clumsily get rid of the black guy?

Bizarro!!!





Sociedade Alternativa

6 08 2009

A última viagem de congresso que eu fiz virou um post de quase dez laudas. Desta vez não vou me repetir por três motivos: Vai ficar cansativo; algumas coisas eu estava bêbada demais para lembrar e outras não vale contar. Quero falar apenas de sentimento desta vez. Experimentei sentimentos que eu nem me lembrava mais que existiam. Conheci pessoas as quais me apeguei de tal forma, em tão pouco tempo e que me fizeram questionar vários pontos da minha vida.

O primeiro deles é a amizade. Lá eu não parava de pensar nos amigos daqui e agora aqui não esqueço por um minuto as pessoas que deixei lá. Aprendi a valorizar os abraços porque nunca sabemos quando eles se transformarão em mensagens de texto. É incrível como pessoas de diferentes partes do Brasil podem ter hábitos tão parecidos e personalidades que se encaixam e se completam como um quebra-cabeças.

Outro ponto foi o pudor, a sexualidade. Ver os homens héteros usando saias em solidariedade à causa homossexual, participando de roda de amor livre e aceitando selinhos de homos que nem conhecem apenas para mostrar que não há preconceito, que um beijo é um cumprimento como um aperto de mão ou um abraço. No mundo das mulheres isso é até aceitável, temos menos preconceito, mas ver homens com atitudes como essas é uma das maravilhas modernas.

Isso me lembra de outro ponto, a solidariedade. O espaço de auto-organização estudantil vivenciado no ENECOM pode não ter sido 100%, mas tenho certeza que em um congresso da UNE se algo do tipo fosse tentado não chegaria nem nos 30%. As pessoas de fora do encontro se espantavam com a colaboração, com a ajuda mútua e desinteressada que muitos estudantes prestavam uns aos outros. No mundo de hoje a solidariedade é uma característica admirável.

Pude observar as opressões mais de perto, não participei dos Grupos de Vivência, mas muitos deles chegaram até nós e pudemos conhecer suas histórias, não através da grande mídia que os marginaliza, nem da mídia alternativa que os exalta, mas de suas próprias bocas e mãos. Renato Roseno (PSol) foi o melhor palestrante e nos deu soluções concretas para tornar a nossa contra-hegemonia realmente hegemônica.

Teve também o amor… O amor é livre! Disse que amava tantas pessoas que conheci por uma semana… e realmente as amo! Uma característica que eu já havia adquirido antes era classificar as pessoas em boas e más, não em legais ou chatas, bonitas ou feias… Se a pessoa é boa eu deixo se aproximar, se tem aquela aura carregada, se traz mesquinhez no olhar… passe longe por favor! E essa bondade desimpedida, essa alegria contagiante, esse reconhecimento dos olhos e dos colos me fez amar tanta gente! Homens, mulheres, brancos, negros, homossexuais, héteros, bis… Amar mesmo, com a alma, não no sentido carnal da palavra.

Em janeiro havia aprendido a respeitar as diferenças e os espaços, nesses últimos congressos consegui colocar em prática. Não me chateei com nada! Nem com atos, nem com palavras… o que acontece no congresso fica no congresso! Foi tão difícil compreender isso em janeiro, hoje acho que consigo até dar uma aula…

Outra figura que vai mudar para sempre a minha vida é a professora de fanzine, Fernanda Meireles. Com toda sua energia e paixão e suas frases de postais. A melhor delas é seu lema “Converse com estranhos”. Quer frase melhor para descrever um congresso como o ENECOM? Todo mundo que tiver a fitinha amarela é seu amigo! No da UNE é mais restrito, era todo mundo que tivesse um adesivo da Kizomba.

Vivi por 21 dias em uma espécie de Sociedade Alternativa, da qual nunca mais queria sair. Principalmente no ENECOM, onde sua força política não é importante, nem sua sexualidade ou condição financeira, vale apenas o tamanho do seu sorriso e quanto tempo aguenta acordado. Esse é o mundo ao qual eu pertenço e se cada pessoa caminhando sobre a Terra já tivesse vivenciado uma experiência dessas, tenho certeza que o mundo seria um lugar melhor para se viver. O perrengue para tomar banho te faz valorizar a água, a fila para a refeição te faz valorizar a comida, o pouco tempo de duração te faz valorizar as companhias encontradas… Você poderia dizer que o fim te faz valorizar o durante… mas eu não queria o fim… eu queria um ENECOM cíclico.

Na verdade eu queria uma sociedade desconstruída que vivesse dessa forma alternativa para sempre. Eu queria ser Arembepe (BA), naquela vila hippie, com aquele lago de águas quentes e aquela recepção calorosa aos estranhos. Eu queria o sorriso de Fernanda convidando gente estranha para sua casa e explicando a inspiração de seus trabalhos. Eu queria a animação de Lelê em sua barraca que sempre cabe mais um. Eu queria os abraços de Negão que nos acompanharam até o último minuto. Eu queria os carinhos de Bruno e Aline e todas as danças de Marisinha. Os beijos molhados de Fernando que acabariam com a seca do Ceará! A hospitalidade de B2 e cada abraço apertado daqueles machos! Eu queria cada uai dos mineiros e todas as cervejas geladas que eu nunca tive! Eu queria dividir cada Tiquira e cada cigarro com todo mundo. Queria que cada cidadão deste mundo tivesse um pouquinho de Michell, Bell, Amanda, Maurício, Cevs, Caio, Ju, Nicolas, Chris… entre outras pessoas fantásticas que deixei para trás e espero reencontrar lá na frente, mesmo que não dentro delas mesmas.

Eu queria que todo dia fosse o dia perfeito, com um painel pela manhã, uma praia, uma roda de “Eu nunca”, cerveja e camarão, o sol mais que gigante se afogando no mar de Mucuripe e risadas em todos os sotaques até que as estrelas já tivessem tomado todo o céu. Vou levar tudo para a minha vida!

Pra fechar, a frase que amo:

camisa kizomba